27 de agosto de 2009

"A menina triste"

É alegria o que me falta.

A que se vê no olhar da vizinha octogenária quando se aperalta para acompanhar a procissão.

A que se sente na voz da prima (10 anos mais velha) quando nos convida para uma noitada a meio de uma semana de trabalho.

A que anima o primo que, sem esperar, perdeu o emprego mas que não se deixa perder em lamúrias.

A que se ouve no riso do tio emigrante só porque agora está cá e afoga as saudades em banquetes, petiscos e outras guloseimas.

Mas eu sigo, constante, na linha recta do gráfico de emoções da minha vida.

Como se, daquela vez em que a linha atingiu mínimos (ou terão sido máximos?) nunca antes alcançados, eu tivesse perdido a capacidade de voltar a fazer variar esse gráfico.

Uma festa é apenas mais uma festa.
Um homem não é nada mais do que um homem.
Um dia é a cópia quase perfeita de qualquer outro.

Sem lágrimas, nem ris(c)os.
Sem vida, sem morte.

Um espelho mágico que reflecte sempre um sorriso calmo, beato.

Sem início(s), sem fim...




P.S. Título descaradamente roubado daqui

5 de agosto de 2009

Será normal, pois então!

É que nem me atrevo a dizer o contrário.

Passado algum tempo de luto, apatia ou desânimo, reerguermo-nos emocionalmente e, mais ou menos rapidamente, encontrarmos outro alguém (ou o mesmo alguém) que nos renove as cores, os sons e os aromas do Mundo.

Por isso, não levo a mal que perguntem.
Ou que assumam que não estou só.

Porque seria normal.
E é verdade... já seria tempo!

No mesmo tempo, acompanhei separações e reatamentos.
Divórcios e novos casamentos.
No mesmo tempo, deu tempo para aventuras e flirts.
Desilusões, romances e finais felizes.

Ninguém fica só por tanto tempo.

Mais ou menos rapidamente, surge alguém que vale a pena.
Que nos faz esquecer o que passou.
Que acelera cada um dos nossos dias.
Que nos faz voltar a ansiar por amanhã.

E, portanto, não estranho que isso aconteça.
Uma e outra vez.
A quem só ouço a história mas também a quem conheço.

Mas se é normal, pois então...
... porque impede o destino que me aconteça?

31 de julho de 2009

"The Curious Case of..."

O meu espírito infantiliza-se
na medida exacta em que o meu corpo envelhece.

Apenas lamento ter sido tão velha
quando o meu corpo era tão jovem...


30 de julho de 2009

Penso tantas vezes...



... estarás comigo amanhã?

E, mesmo antes de adormecer, receio...
... voltarei a ver-te quando acordar?

Porque, nesse dia, foi tudo tão perfeito.

Adorei-te.
Adorei-nos.

E, assim, tantas vezes me interrogo...
... quanto tempo ainda temos?
... quando olharei em volta e terás partido?


Quando me deixarás e me encontrarei sozinha?

26 de junho de 2009

Aquele dia...

... lembrou-me o último episódio de uma telenovela.
E aquele pressuposto de que, no fim, tudo termina bem.
(porque, se nem tudo está bem, é porque ainda não acabou...)

As crianças brincavam no jardim.
O sorriso dele impressionava pela paz em que o sentia.
No cansaço dela adivinhava-se uma azáfama de promessas e dias felizes.
Nas vozes e nos risos, sentia-se o calor do dia e o valor da amizade.

E eu na montra da loja.
De rosto colado ao ecrã de TV.
Do lado de fora.
Olhando para quem vive lá dentro.

E como vivem!
E como vives!

Penso no que sofreste para chegar aqui.
No que riste e partilhaste para conseguir vencer.

Conheço poucos tão merecedores.
E, na minha TV, és personagem principal.

Ela será agora a tua luz... a tua Luna.
E será, com toda a certeza, mais uma estrela no meu firmamento.

Muitos Parabéns, Carlota!!

23 de junho de 2009

O 5º aniversário...



... do blog passou despercebido.

Uma mão cheia de anos.
Uma casa plena de nada.

Ainda assim, sobrevives.

E apenas por isso...

Parabéns!

19 de junho de 2009

Todos os meus 'amores'...

... foram não correspondidos.

Os platónicos amores de infância.
O príncipe que me faria feliz para sempre.

Os românticos amores da adolescência.
O rapaz mais bonito da escola.

Os conturbados amores da faculdade.
O aluno mais rebelde, o colega mais popular.

O primeiro amor.
O homem a cuja vida cheguei muito tarde...

O amor que pensei ter encontrado, afinal.
O homem que levou as minhas ilusões de amor certo.

Não conheço o amor feliz, o amor retribuído.
Mas não o digo com rancor ou amargura.

Apenas surpreendida perante a surpresa de quem,
pela primeira vez,
não encontrou correspondência.

26 de maio de 2009

Não entendo a pressa...

... e travo o gole que sucede ao primeiro tragado com sofreguidão e ânsia.
... e prolongo o beijo e o abraço, atrasando a despedida.
... e adio o virar de página, saboreando o prazer do livro em mãos.
... e caminho devagar porque assim vejo as caras e os passos dos demais.
... e como sentada e leio ou converso, apreciando a minha companhia ou a dos outros.
... e mastigo lentamente, vendo partir primeiro quem chegou depois.
... e dormito ao sol, enquanto a Maria dorme também no meu colo.

E não (pre)encho os meus dias com horas marcadas...
... e sítios para estar...
... e gente para ver...

... porque preciso de sentir o tempo a passar...
... e quero sempre sentir-me no tempo que passa.

19 de maio de 2009

É alívio...

... o que sinto.
Mas só vejo isso agora que já não estás.

Nunca percebi o quanto me ensombravas.
O quanto cedi e (me) comprometi.

Nas tuas costas, ouço agora os desabafos.
As opiniões que, finalmente, conhecem o dia.

E noto, surpresa, que outros se deixaram também ensombrar.

Enleados em caos e preguiça.
Inebriados por talento e respeito.

Às vezes, acordamos muito tarde...
... e de um pesadelo nunca é cedo demais.

Agora que já não estás...
... alívio é tudo (e só) o que sinto.

15 de maio de 2009

A recta...

... estendia-se à minha frente.
E estreitava-se até se tornar um ponto minúsculo... lá, onde os meus olhos já não conseguiam alcançar.

Pensei que, de onde estava, parecia impossível que o meu carro coubesse naquele ponto minúsculo.
E apercebi-me que a Vida também é assim.

À distância, há pontos no caminho que parecem intransponíveis.
Até lá chegarmos...