13 de abril de 2009

Longe

Estou tão longe, meu Deus!
Como é que isto aconteceu?

Vejo-vos (juro que vos vejo!) mas não vos sinto...
E cavo ainda maior distância.

Tudo é superficial... pela rama.
- Tudo bem?
- Tudo e contigo?

- O que se vê a fazer?
Respondo rindo.
(gargalhada soturna de quem não vê rumo, nem conhece o caminho)

E os sonhos... ai os sonhos!
Como é possível ainda sonhar contigo? Convosco?
Como é possível ainda magoar-me tanto?

Eu não queria ser ela...
... mas sou.

6 de abril de 2009

Mas abrir o quê?!?!

Nunca percebi esta conversa.

"Tens de te abrir mais"
"Tens de dar oportunidade a que aconteça"
"Tens de deixar os outros entrarem"


Chavões, frases feitas.
De gente muito aberta, não duvido.
Que sabe, por experiência própria, do que fala.

Mas eu sou tão fechada hoje como sempre o fui.

Eu já era fechada quando ele me descobriu.
E continuei fechada quando ele me consolou de quem me descobriu.
E mantive-me fechada quando embarquei em delírios dos que prometiam o que quem me consolou não tinha conseguido prometer.
E mesmo fechada deixei que ele me distraísse dos que me haviam descoberto, consolado e prometido.

Portanto, que tenho eu de abrir?!?!

Se hoje não há ninguém que me descubra, console, prometa ou distraia, que posso eu fazer?

É a vida, só isso!

Às vezes, acontece.
E, às vezes, pura e simplesmente, teima em não acontecer.

27 de março de 2009

If your name is Teresa...



You Are Submissive Sexy

You are sexy because you are sensitive. You feel deeply.

You're the type of person who loves being seduced and pursued.

You're too passive to ever take the lead, but you don't mind waiting for someone to notice you.

And once someone is chasing you, you love every moment until you are caught.

Everything inside your head gets a little intense at times. You can get a bit overwhelmed in the bedroom.

Your senses are very sharp. You are easily stimulated and turned on.

26 de março de 2009

Começou logo...

... na escola primária.
A minha professora achou que eu estava mais avançada que o resto dos meninos e quis que eu fizesse 2 anos num único.
Mas os meus Pais não gostaram da ideia e mantive o passo previsto, um ano de cada vez.

Depois cheguei ao ciclo preparatório e fui a melhor aluna da escola.
Ganhei medalhas e obtive a nota máxima em todas as disciplinas.

No liceu, mantive sem esforço as boas notas.
E, com 15 anos, fui escolhida para representar Portugal no Parlamento Europeu dos Jovens em França, na área de Saúde.

Na PGA (era assim que se chamava, não era?) tive mais de 80% quando a média nacional pouco ultrapassou os 50%.
E numa prova específica de Matemática para acesso à Universidade, tive 75% quando a média nacional foi negativa.
Chegada a altura de escolher o Curso e a Faculdade, tinha média para o que me desse na real gana.

A par disto, sempre tive bons amigos e sempre me considerei 'popular'.
Longe da imagem do 'marrão', só estudava nas vésperas (muito devido à minha crónica falta de memória!) e gostava de jogar vólei e de ir atrás dos rapazes mais giros em todos os intervalos.
O único rapaz com atitude de bully em relação a mim, acabou o ano a dizer que queria casar comigo e ter 5 filhos.

As coisas só começaram a descambar na Faculdade.

O curso foi mal escolhido, sei-o hoje perfeitamente.
E subitamente tornou-se muito mais difícil conseguir bons resultados.
Guardo, com muito carinho, as Amizades que criei nessa altura (e que mantenho até hoje) e a lembrança das festas, dos rallies-paper e dos jogos de King e Espadinha que preenchiam todas as aulas a que nos baldávamos.

Mas o fim da 'época áurea' aproximava-se a grande velocidade.

Mesmo assim, terminei o curso no tempo previsto e a empresa que me contratou foi literalmente buscar-me à Faculdade.
Tudo continuava a chegar-me de mão beijada.

Só então começaram os 'fracassos'...
E nada até aí me tinha preparado para tal cenário.

O 'salve-se quem puder' da selva profissional foi (e continua a ser) o maior obstáculo que nunca consegui ultrapassar.
E o 'parecer mas não ter de ser' continuará sempre a incomodar-me.

O facto de que não consigo impôr-me e de que não me distingo pela positiva, como sempre aconteceu, é um peso complicado de carregar.
E a estagnação pessoal e profissional rouba-me esperança, energia e entusiasmo.

Todos os amigos casaram, tiveram filhos, têm carreiras prósperas e são pessoas realizadas e bem sucedidas.
Se a vida fosse uma corrida, teriam partido depois mas cruzado a meta em primeiro lugar.

E não é fácil suportar a sensação de que me deixei ultrapassar.
De que, sem saber quando, nem como, passei de 'melhor' a 'pior'.

Se bem que em nenhum momento lamente todos os sucessos que vivi, talvez alguns percalços pelo caminho tivessem permitido tornar-me melhor pessoa no presente.
Ou, pelo menos, em alguém não tão inadaptado...

20 de março de 2009

Ele...

... anda sempre 'aziado'.
Azedo de uma inveja parola da 'boa vida' dos outros.

É uma figura pequena e mesquinha.
Servil mas falsamente submisso.

Velho que deplora a vida que tem.
Porque acredita ter mais valor que ninguém.

Que os tais que se passeiam e preguiçam.
Os tais que não merecem mas conquistam.

E espalha fel, difunde lama.
Ave agoirenta, quer-se à distância.

19 de março de 2009

Eu...

... não sou uma pessoa triste.
Mas não sei escrever de outra forma.

Ou escrevo de raiva ou de mágoa.
Ou de saudade ou de dor.

Mas quando escrevo, choro.
E quando choro, sereno.

Eu não sou uma pessoa triste.
Mas não gosto de quem sou.

E o lamento pede lágrimas.
E este pranto exije gritos.

Então choro e digo mágoa.
E mordo dor, disparo raiva.

Eu não sou uma pessoa triste.
A tormenta é ver quem sou.

17 de março de 2009

Há uns tempos atrás...

... já teria escrito vários textos sobre ti.
E andaria, com certeza, entusiasmada com o teu próprio entusiasmo.

Há uns tempos atrás, acharia querido o facto de me chamares "querida".
E calaria, negando evidências, a distância a que te encontras.

Há algum tempo atrás, deixar-me-ia ir e tiraria prazer de elogios e esperança.
Esperança de que, talvez, só talvez, pudesse estar enganada a teu respeito...
... e a meu.

Mas hoje não consigo forçar-me a acreditar.
Muito menos me tento a (cor)responder.

Vejo a distância e as semelhanças que nos afastam.
E recordo outros entusiasmos infundados e outros "querida" tão vazios de querer.

Adivinho a validade das tuas emoções.
Pressinto a fragilidade das tuas ilusões.

Agora estranho quem sente.
Porque eu, simplesmente, não sinto.

16 de março de 2009