24 de outubro de 2008

Perdoa...

... se não acredito.
Mas mais já disseram "Até breve" e não voltarão.

Como ele que me pintou.
Ou ele que mergulhou num oceano que era eu.

Entendo as prisões e as correntes.
Mas melhor entendo as partidas e os adeus.

Mesmo quando prometem ser breves.
Mesmo quando pretendem que o não são.

23 de outubro de 2008

Como qualquer bom português...

... também eu sou galinho(a) vaidoso(a).

Vejo as minhas cores mais fortes do que são.
Ouço o meu canto mais alto do que alguma vez conseguiu ir.
Sinto o meu corpo mais robusto do que alguma vez será.
Creio que as minhas asas têm poder para me levar mais longe.

Mas sou apenas galinho(a) vaidoso(a).
Sem noção de si.
"Armado aos cucos".
Armado em parvo.

Sou galinho(a) vaidoso(a).
Sem noção de si.
A pensar que é rei.
A sonhar que é águia.


22 de outubro de 2008

Mas duro mesmo...

... é perceber que sou eu quem não sabe querer bem, afinal.

Que sou eu que não procuro.
Que sou eu que não me esforço.

Que sou eu que me afasto.
Que sou eu, afinal, que vos deixo.

21 de outubro de 2008

É sempre assim...

... na minha vida.

Deixo que me deixem.
Desejo que se afastem.

Dá trabalho querer bem.
E é tão difícil estar sempre lá.

Lá onde não nos esquecemos nunca de gostar.
Lá onde vemos sempre e não nos limitamos a olhar.

E por isso deixo sempre que me deixem.
E até chego a agradecer que se afastem.

Porque é difícil ver sempre quando nunca sou vista.
E ainda mais difícil querer bem quando raramente sou benquista.

E tem sido sempre assim na minha vida.

17 de outubro de 2008

Já repararam...

... como as pessoas grandes são delicadas?

Costumam falar claro, não muito alto mas com uma firmeza e segurança agradável na voz.
Pedem Desculpa, dizem Obrigada, Com Licença e Por Favor.

Não se deixam cair ao meu lado no metro.
Bem pelo contrário, sentam-se quase sem eu dar por elas.

Transmitem, quase sempre, uma aura de dignidade e imponência.
Mas impõem-se, quase sempre, por uma humildade tão grande como elas.

Caminham bastante depressa mas sempre dando a sensação que vão devagar.
E nunca atropelam, nem empurram... talvez porque tenham a perfeita noção da sua força.

E não, não escrevi este texto por tua causa.
Ainda que já o tivesse pensado muitas vezes a teu respeito :)

16 de outubro de 2008

O que eu queria...

... era a loucura envolvida em confiança.
E o desejo aconchegado em intimidade.

O que eu queria era a vontade prisioneira em afeição.
E o desvario atrevido na segurança do outro.

O que eu queria era o impulso sempre renovado mas velho conhecido.
E o perigo desmesurado num hábito já entranhado.

Mas o que eu queria mesmo era não querer nada daquilo que eu quero.
Porque seria bem mais fácil querer somente o que (os meus) outros querem.

14 de outubro de 2008

Não tenho...

... tido grande tempo para escrever, é certo.
Mas o que me falta mesmo é vontade... de escrever... de tentar, sequer.

Sabia que, quando o azul passasse, o rosa não me inspiraria.

Não que seja um rosa choque ou um ofuscante fúcsia.
Mas não deixa de ser rosa... rosa pálido de fim de tarde e de quarto de bébé... suave, tranquilo, desmaiado e desinteressante.

Tão insosso que não pretende ter história.
Tão descorado que não merece destaque.

E vou lavando nódoas e outros salpicos.
E vou fugindo a matizes e outros apliques.

E caminho neste vermelho vivo que quase diluí em branco...
... mas que quero acreditar que ainda é rosa.

Rosa pálido de fim de tarde e quarto de bébé.
Suave, tranquilo, desmaiado e desinteressante.

10 de outubro de 2008

Ca nervos!!

Quando estou nervosa,
há pouca coisa que me acalme menos do que dizerem-me:
"Acalma-te..."

And you should...

9 de outubro de 2008

O meu...

... “Não” é potente.
Mesmo quando dito de mansinho.

A minha recusa é inegável.
Mesmo quando nada evidente.

A fuga ao que não quero é incontestável.
Mesmo quando encoberta de subtileza.

E o “Sim” que me rouba auto-estima só me é arrancado à força.

À força da insistência.
À força do cansaço.

E à força da minha própria fraqueza.

7 de outubro de 2008

Lamento...

... o tempo que não te posso conceder.
E a pressa com que despacho os teus assuntos.

Não tenho calma para te dizer o que sinto.
E não sinto nada além do que impede que te escreva.

Mas lamento a falta que me fazes.
E lamento a minha falta no teu leito.

Porque eu sou água e terra e ar e fogo.
Princípio e fim da tua vida.

E tu és pão e sangue e roupa e cama.
Fim em ti mesmo, história fugaz.
Mas história só minha, alento, defesa.
Guerra só minha e sempre, sempre minha paz.