14 de agosto de 2008

Chego...

... a ter medo de mim.
Sou um perigo (só) para mim própria.

"Vales cada Km da viagem..."
E eu logo a querer que ele venha.

"Nunca tive ninguém como tu"
E, enlevada, toda eu a acreditar.

Há quem bata com a cabeça em esquinas, tropece em degraus que não vê, caia em buracos que não distingue.

Já eu vejo as esquinas que me ferem... mas vibro com a dor que me provocam.
Percebo os degraus que me derrubam... mas anseio pela adrenalina da queda.

E conheço o fundo dos buracos que me engolem... mas é (apenas) o seu perigo que me dá prazer.

13 de agosto de 2008

A espera

Sinto-me à espera.
Sento-me, aguardo.

Não sei bem do quê.
Não sei bem de quem.

Mas espero que chegue.
Aguardo que venha.

Sento-me, aguardo.
Mas sei que é em vão.

Sinto-me à espera.
Em tola ilusão.

12 de agosto de 2008

Que situação!

Não atendo os seus telefonemas.
Respondo mais tarde e só por mensagem.

Evito lembrar-lhe que existo.
Fujo a encontros, 'acasos' e outras 'coincidências'...

Não deixo de ser 'simpática', não perco a educação.
Mas já não coloco 'smileys' nas SMS's, nem 'Bjs' como conclusão.

Ainda assim, volta à carga.
Insiste, liga outra vez.
Quer ver-me, falar comigo.
Já não sei o que fazer!

Que diabo, não entende??
Será apenas solidão?
E não poder ser frontal...
Oh, meu Deus, que situação!

11 de agosto de 2008

Meu menino

Ainda te sinto menino.
Ainda te quero embalar.

Não me arrependo de nada.
Sei que não quero voltar.

Mas ainda me banho em carinho.
Quando me falas, menino.

8 de agosto de 2008

Queres...

... um colo que te abrigue.
Num peito que te consuma.

Um coito que te mantenha a salvo.
Num coito que não te consiga aplacar.

Queres a brisa suave do Outono num olhar.
E o suor desabrido do Verão a pulsar.

Queres a emoção constante, renovada num só ser.
E a paz serena, imperturbável, recuperada em cada beijo.

Sei o que queres, sinto o que sentes.

A fome implacável que corrói o teu ventre.
O clamor silencioso sepultado no meu peito.

7 de agosto de 2008

Estou...

... nervosa, inquieta.
Perturbada, irrequieta.

Quero-te aqui, agora!
À distância de uma hora.

Quero-te meu, disponível!
Fantasia exequível.

Mostra-te, mostra-o, desejo patente!
Toca-me, toma-me, intuito evidente.

Mas vem,
Toca-me,
Toma-me!

E sossega-me,
Aquieta-me...

6 de agosto de 2008

Já não é...

... a primeira vez que leio, ouço ou comprovo a ideia de que é fácil para um homem encontrar uma mulher que o 'acenda'.
O que lhes parece difícil é descobrir uma que os desafie intelectualmente... uma com quem percam a noção do tempo apenas a conversar.

Não posso falar por todas as mulheres mas eu...
... já conheci (muitos) homens inteligentes que nunca conseguiram 'acender-me'.
... já me senti intelectualmente estimulada (muitas vezes) sem sentir qualquer outro tipo de 'calor'.
... já me esqueci do tempo embrenhada em (muitas) conversas que nunca tiveram nenhum fim mais 'escaldante'.


Não posso falar por todas as mulheres mas a mim...
... o que me parece difícil é descortinar alguém que me incendeie!

5 de agosto de 2008

Não me considero...

... nenhuma especialista em moda.
Bem pelo contrário!
Tenho roupa com centenas de anos e consigo vestir o que gosto até puir e romper.
Por esse motivo, raramente estou in... e isso pouco me importa.

Mas gosto de olhar para as pessoas.
Para o que vestem, como se enfeitam.
Gosto de apreciá-las, perceber a sua atitude.
Notar a forma e a cadência com que andam.

Observo os gordos que não sabem (nem querem) esconder que o são.
Contemplo os magros que não sabem (nem querem) disfarçar que o são.
Vejo óculos escuros enormes que tapam os olhos e as caras de quem atrás deles se esconde.
Examino cabelos pós modernos, estilos vanguardistas, roupa do último grito.
Julgo outros como eu... parados noutra década... noutro século.

E percebo os que fogem e os que fingem.
Os que se escondem e os que se exibem.

E distingo os que vivem para serem olhados.
E os que olham para aprender a viver...

4 de agosto de 2008

Há dias assim...

... em que tudo parece correr bem.
Horas em que tudo parece compor-se.
Minutos em que um pormenor estúpido me prova que estou viva.

Dias que, pela sua raridade, degusto com prazer.
Horas que, por serem curtas, curto com singularidade.
Minutos que, de tão fugazes, agarro com intensidade.

Há momentos assim...

... em que agradeço as pessoas que comigo se cruzam...
... e a vida que, sem saberem, conseguiram oferecer-me.

1 de agosto de 2008

Todos os sonhos...

... me parecem mais belos antes de os realizar.

Todos os 'antes' me embalam e estimulam.
Todas as antecipações me deliciam e incitam.

Mas os 'depois' não são tão esplêndidos.
Os acordares não são tão belos.

Todas as vontades se esgotam quando saciadas.
Todos as ilusões desabam quando implodidas.

Todos os anseios empalidecem ao sol.
E todos os sonhos se exaurem quando findos.