6 de junho de 2008

Acho graça...

... ao jeito como me elegeu para sua confidente.
Sorrio com a forma descomplexada como se abre comigo.

Conta-me coisas que, provavelmente, não diz a mais ninguém.
Revela-me segredos que talvez devesse guardar só consigo.

Respondo-lhe, deixando-o maioritariamente desabafar.
Aconselho-o como se de um filho se tratasse.

Quer que eu lhe diga o que deve fazer para deixar de sofrer.
Tal como alguns que aqui vêm ao engano, pergunta-me quanto tempo dura o Amor.

E eu sorrio, uma vez mais.

Porque pensará ele que eu sei?
E porque receio dizer-lhe "Para sempre..."?

3 de junho de 2008

"E tu? Para onde vais?"


Não sei para onde vou.
Não reconheço o sítio onde estou.

Invejo os que por mim passam, com decisão.
Observo os que avançam sempre, com precisão.

Maldigo os que me (ultra)passam, sem cerimónia.
Lastimo a minha inaptidão e parcimónia.

Não sei para onde vou.
Mas sei que não quero continuar onde estou.

2 de junho de 2008

Sempre achei...

... que, se partisse, ninguém sentiria a minha falta.
Facilmente seria substituída.
Rapidamente seria esquecida.

Sempre confirmei que, quando parto, ninguém me chora.
Facilmente se reformam.
Rapidamente se conformam.

Essa certeza rouba-me sensibilidade.
Esse saber dá-me inflexibilidade.

Assim nunca me custa(rá) avançar.
Assim parto (sempre) sem me preocupar.

30 de maio de 2008

É...

... a vontade irresponsável de me sentir encurralada.
O desejo inexplicável de me ver sem alternativa.

O sonho imbecil de que assassinem esta vida.

Não para que fique morta...
... mas para que possa, enfim, renascer.

29 de maio de 2008

Agora...


... escrevo sem emoção.
Desprovi as palavras de alma.

Agora nada me toca.
Esvaziei sentidos e coração.

Mas agora que nada sinto, sinto que esse nada é tudo.

Ai a dor de nada sofrer.
Ai o sofrimento de não ter nada por que viver.

28 de maio de 2008

A cepa torta

Sou uma pessoa inteligente.
(por vezes, até demasiado para meu próprio bem...)

Straight A's student.
Profissional dedicada e diligente.
Pessoa educada e de bom trato.

Nunca me imponho, respeito.
Nunca litigo, aceito.

Mas se não me imponho, não brilho.
E se não litigo, não vingo.

E a cepa não se endireita...

27 de maio de 2008

Recordo-me sempre...

... do riso que partilhávamos quando concordávamos que só atraías "gente doida".
Eram os malucos que falavam contigo como se te conhecessem ou os que te seguiam até te conseguires esconder em algum lado.
Ainda hoje tens sempre uma peripécia engraçada para contar, uma situação que, de tão inverosímil, só poderia mesmo ter-se passado contigo.

Já eu sempre senti que era o meu próprio desequilíbrio que fascinava os menos equilibrados.
E talvez seja o meu 8 e 80 que continua a atrair os dois lados da moeda.

Porque a serenidade é difícil de alcançar, a progressão natural de alguns acontecimentos, sem pressas, nem precipitação, não parece estar, aparentemente, ao alcance de todos.

Pelo menos, pelos vistos e até agora, não parece estar ao meu...

26 de maio de 2008

Acho que...

... nunca vou entender uma relação baseada na falta de respeito e admiração pelo respectivo parceiro.
Não atinjo o prazer do sentimento de superioridade em relação à pessoa que nos acompanha.

Porque havemos de nos sentir bem por nos acharmos melhor do que alguém que consideramos inferior?

Porque não regozijamos antes por ser tão bons como o melhor que nos escolheu?

21 de maio de 2008

Coisas que me dizem

"Oscilo entre detestar a tua crueldade e adorar a tua frontalidade"


20 de maio de 2008

Quem...

... a viu...



... e quem a vê!