30 de maio de 2008

É...

... a vontade irresponsável de me sentir encurralada.
O desejo inexplicável de me ver sem alternativa.

O sonho imbecil de que assassinem esta vida.

Não para que fique morta...
... mas para que possa, enfim, renascer.

29 de maio de 2008

Agora...


... escrevo sem emoção.
Desprovi as palavras de alma.

Agora nada me toca.
Esvaziei sentidos e coração.

Mas agora que nada sinto, sinto que esse nada é tudo.

Ai a dor de nada sofrer.
Ai o sofrimento de não ter nada por que viver.

28 de maio de 2008

A cepa torta

Sou uma pessoa inteligente.
(por vezes, até demasiado para meu próprio bem...)

Straight A's student.
Profissional dedicada e diligente.
Pessoa educada e de bom trato.

Nunca me imponho, respeito.
Nunca litigo, aceito.

Mas se não me imponho, não brilho.
E se não litigo, não vingo.

E a cepa não se endireita...

27 de maio de 2008

Recordo-me sempre...

... do riso que partilhávamos quando concordávamos que só atraías "gente doida".
Eram os malucos que falavam contigo como se te conhecessem ou os que te seguiam até te conseguires esconder em algum lado.
Ainda hoje tens sempre uma peripécia engraçada para contar, uma situação que, de tão inverosímil, só poderia mesmo ter-se passado contigo.

Já eu sempre senti que era o meu próprio desequilíbrio que fascinava os menos equilibrados.
E talvez seja o meu 8 e 80 que continua a atrair os dois lados da moeda.

Porque a serenidade é difícil de alcançar, a progressão natural de alguns acontecimentos, sem pressas, nem precipitação, não parece estar, aparentemente, ao alcance de todos.

Pelo menos, pelos vistos e até agora, não parece estar ao meu...

26 de maio de 2008

Acho que...

... nunca vou entender uma relação baseada na falta de respeito e admiração pelo respectivo parceiro.
Não atinjo o prazer do sentimento de superioridade em relação à pessoa que nos acompanha.

Porque havemos de nos sentir bem por nos acharmos melhor do que alguém que consideramos inferior?

Porque não regozijamos antes por ser tão bons como o melhor que nos escolheu?

21 de maio de 2008

Coisas que me dizem

"Oscilo entre detestar a tua crueldade e adorar a tua frontalidade"


20 de maio de 2008

Quem...

... a viu...



... e quem a vê!

19 de maio de 2008

Porquê?

Porque me encontraste deste jeito?
Porque te provoquei esse efeito?

Porque não preferes quem te rodeia?
Porque me parece que vagueias?

Porque avanças tão apressado?
Porque já fizeste o mesmo em outros lados?

Porque não procuras quem te escolheu?
Porque te respondo eu?

16 de maio de 2008

...

Custa-me tanto este sentir imaturo.
Este mar de ondas altas de dor e ternura.

Alguém que me sopra... "Os milagres existem".
E eu logo a mergulhar sem olhar, a querer sem dever.

E doem-me tanto as asas que rasgo.
E os sonhos que mato antes que mos roubem.

E disfarço a espera, gritando-me só.
E grito a esperança, ocultando o dó.

Mas custa-me tanto sentir assim.
Não recear nada e ter sempre medo de mim.

14 de maio de 2008

É certo...

... que a idade não me trouxe paciência.
Deu-me um pouco mais de jogo de cintura... de capacidade de gerir (ou esconder) ligeiramente melhor a minha falta de complacência.
Mas não me deu mais paciência.

Cedo menos e com maior dificuldade.
Perdoo menos e pior.
Exijo (cada vez) mais e melhor.

E, se em jovem, se procura o parceiro ideal que nos preencha e satisfaça o instinto reprodutor e de continuidade da espécie, a partir de uma certa idade já não se atura ninguém que não se mostre simplesmente à altura de nos acompanhar.

É por isso que certas atitudes, certas palavras e alguns gestos passam a ter apenas dois destinos.
A indiferença por algo que não chega a provocar nenhum efeito.
Ou a desilusão por termos acreditado que algo tinha potencial para o fazer...