19 de maio de 2008

Porquê?

Porque me encontraste deste jeito?
Porque te provoquei esse efeito?

Porque não preferes quem te rodeia?
Porque me parece que vagueias?

Porque avanças tão apressado?
Porque já fizeste o mesmo em outros lados?

Porque não procuras quem te escolheu?
Porque te respondo eu?

16 de maio de 2008

...

Custa-me tanto este sentir imaturo.
Este mar de ondas altas de dor e ternura.

Alguém que me sopra... "Os milagres existem".
E eu logo a mergulhar sem olhar, a querer sem dever.

E doem-me tanto as asas que rasgo.
E os sonhos que mato antes que mos roubem.

E disfarço a espera, gritando-me só.
E grito a esperança, ocultando o dó.

Mas custa-me tanto sentir assim.
Não recear nada e ter sempre medo de mim.

14 de maio de 2008

É certo...

... que a idade não me trouxe paciência.
Deu-me um pouco mais de jogo de cintura... de capacidade de gerir (ou esconder) ligeiramente melhor a minha falta de complacência.
Mas não me deu mais paciência.

Cedo menos e com maior dificuldade.
Perdoo menos e pior.
Exijo (cada vez) mais e melhor.

E, se em jovem, se procura o parceiro ideal que nos preencha e satisfaça o instinto reprodutor e de continuidade da espécie, a partir de uma certa idade já não se atura ninguém que não se mostre simplesmente à altura de nos acompanhar.

É por isso que certas atitudes, certas palavras e alguns gestos passam a ter apenas dois destinos.
A indiferença por algo que não chega a provocar nenhum efeito.
Ou a desilusão por termos acreditado que algo tinha potencial para o fazer...

13 de maio de 2008

Qual é a tua personagem Seinfeld?

Eu sou o...



Que personagem do Seinfeld é você?
Trazido a você por Soul Fire


Achei graça ao teste que roubei daqui ;)

Talvez...

... seja apenas uma inveja mesquinha e maldosa.
Ou talvez seja uma clarividência que me impede de relegar e relevar.

Mas é-me insuportável.

A ignorância vestida de quinquilharia.
O atraso disfarçado pela arrogância.
A arrogância enegrecendo ainda mais a pobreza de espírito.
E o egoísmo... o egoísmo!!!

A vergonha dos seus... porque não são ricos.
A procura dos outros... porque o são.

O desprezo inequívoco por quem não é belo.
A frivolidade como salvo-conduto para uma vida cómoda.

A inconsciência sempre recompensada.
A inépcia estupidamente acobertada.
A mentira sistematicamente perdoada.

A raiva desgasta-me porque triunfam.
A revolta aprofunda-se pela injustiça.

Mas a mácula que me suja é indelével.
Porque é a vergonha dos maus... que são meus.

8 de maio de 2008

Saíra...

... há pouco da adolescência quando o conheci.
Mais velha, achei graça ao jeito despreocupado e ligeiro com que encarava o futuro.
Sem muito tino, sem nenhum rumo.
Corpo (bem) feito, cabeç(inh)a oca.

Sem nada em comum, nunca consegui perceber como podia existir alguma afinidade.

Perdemo-nos, algures, já não me lembro porquê.

Surgiu agora do nada, procurou-me.
Escolheu-me para 'desabafar'.

Mais velho, (talvez) mais calmo.
Inesperadamente cândido.
Perdido ainda.

7 de maio de 2008

Sempre...

... achei graça ao irmão dela.
Não sei bem porquê.
Não é particularmente atraente.
Não é singularmente inteligente.
Mas tem sido, desde que a conheço, uma espécie de areia no meu sapato, um girino que não consigo engolir... nem esquecer.

Talvez bastassem uns minutos para perder o encanto.
Talvez, se ele me visse, eu deixasse de o olhar.

Mas talvez, se ele me embalasse, eu conseguisse, finalmente, descansar...

6 de maio de 2008

Parece-me...

... que estou a ficar no ponto no qual esperas há algum tempo encontrar-me...


5 de maio de 2008

Choro...

... por sonhos que não são meus.
Sofro por idílios queridos por outros.

Quebro as regras que me fariam feliz.
Crio as dores que me roubam a luz.

Creio em certezas alheias.
Vejo erro no que sinto certo.

Fujo à terra que me quer pó.
Busco a ternura só...

2 de maio de 2008

Sempre que...

... olho aquele pôr do sol, lembro-me de ti.
E de como me disseste que o podias tornar teu também.

Sempre que abro aquela caixa de correio, espero uma mensagem tua.
E finjo que foi ontem que falámos pela última vez.

Sempre que passo à tua porta, receio ver-te.
E, por momentos, esqueço-me que já não moras mais ali.

Sempre que o meu telemóvel dá sinal, continuo a querer ler-te.
E, ingrata e feia, não leio quem me quer escrever.

E só então percebo que não é por ti que aguardo.
Só então acordo e vejo que fui eu que parti.
Só então adormeço e choro porque fui eu que morri.