... por sonhos que não são meus.
Sofro por idílios queridos por outros.
Quebro as regras que me fariam feliz.
Crio as dores que me roubam a luz.
Creio em certezas alheias.
Vejo erro no que sinto certo.
Fujo à terra que me quer pó.
Busco a ternura só...
2 de maio de 2008
Sempre que...
... olho aquele pôr do sol, lembro-me de ti.
E de como me disseste que o podias tornar teu também.
Sempre que abro aquela caixa de correio, espero uma mensagem tua.
E finjo que foi ontem que falámos pela última vez.
Sempre que passo à tua porta, receio ver-te.
E, por momentos, esqueço-me que já não moras mais ali.
Sempre que o meu telemóvel dá sinal, continuo a querer ler-te.
E, ingrata e feia, não leio quem me quer escrever.
E só então percebo que não é por ti que aguardo.
Só então acordo e vejo que fui eu que parti.
Só então adormeço e choro porque fui eu que morri.
E de como me disseste que o podias tornar teu também.
Sempre que abro aquela caixa de correio, espero uma mensagem tua.
E finjo que foi ontem que falámos pela última vez.
Sempre que passo à tua porta, receio ver-te.
E, por momentos, esqueço-me que já não moras mais ali.
Sempre que o meu telemóvel dá sinal, continuo a querer ler-te.
E, ingrata e feia, não leio quem me quer escrever.
E só então percebo que não é por ti que aguardo.
Só então acordo e vejo que fui eu que parti.
Só então adormeço e choro porque fui eu que morri.
30 de abril de 2008
Passa por mim...
... carrancuda.
Abro o sorriso habitual, cumprimento-a com o costumeiro "Bom dia!".
Responde-me a custo, o esgar forçado tentando suavizar-lhe a expressão.
Penso porque haverá pessoas assim... a quem um sorriso parece provocar dor.
Ela é feia, nada deve à natureza.
Talvez nada deva também ao Mundo que a menoriza por isso.
Se fosse bela, talvez caminhasse direita, cabeça e ombros erguidos, segura do que confirmaria, a cada passo, nos olhos de quem com ela se cruza.
Se fosse bela, talvez a luta fosse mais branda, as graças mais abundantes.
Se fosse bela, talvez tudo fosse mais fácil e ela seria mais feliz.
Se fosse bela, talvez a Vida lhe sorrisse mais vezes.
Mas talvez tudo pudesse ser diferente se, pelo menos, ela sorrisse ao Mundo.
Porque se, pelo menos, ela sorrisse, talvez se tornasse bela.
Abro o sorriso habitual, cumprimento-a com o costumeiro "Bom dia!".
Responde-me a custo, o esgar forçado tentando suavizar-lhe a expressão.
Penso porque haverá pessoas assim... a quem um sorriso parece provocar dor.
Ela é feia, nada deve à natureza.
Talvez nada deva também ao Mundo que a menoriza por isso.
Se fosse bela, talvez caminhasse direita, cabeça e ombros erguidos, segura do que confirmaria, a cada passo, nos olhos de quem com ela se cruza.
Se fosse bela, talvez a luta fosse mais branda, as graças mais abundantes.
Se fosse bela, talvez tudo fosse mais fácil e ela seria mais feliz.
Se fosse bela, talvez a Vida lhe sorrisse mais vezes.
Mas talvez tudo pudesse ser diferente se, pelo menos, ela sorrisse ao Mundo.
Porque se, pelo menos, ela sorrisse, talvez se tornasse bela.
28 de abril de 2008
Ele...
... não gosta de mim.
(e ainda bem que assim é)
Faz a sua vida, perde-se em outros caminhos.
Persegue outros proveitos, olvida-me completamente.
Mas quando, por acaso, me encontra, redescobre-me.
E volta a pensar que o posso salvar.
E sente que sou aquela que o vai reabilitar.
Porque sou sensata e vê-me estável.
Porque estou só e crê-me disponível.
Porque me sente força e quer deixar de ser débil.
Ele não gosta de mim, ambos sabemos
(e ainda bem que assim é!)
mas acredita que é meu refém.
Porque nunca está só mas vê-se sem mais ninguém.
(e ainda bem que assim é)
Faz a sua vida, perde-se em outros caminhos.
Persegue outros proveitos, olvida-me completamente.
Mas quando, por acaso, me encontra, redescobre-me.
E volta a pensar que o posso salvar.
E sente que sou aquela que o vai reabilitar.
Porque sou sensata e vê-me estável.
Porque estou só e crê-me disponível.
Porque me sente força e quer deixar de ser débil.
Ele não gosta de mim, ambos sabemos
(e ainda bem que assim é!)
mas acredita que é meu refém.
Porque nunca está só mas vê-se sem mais ninguém.
23 de abril de 2008
Engraçado...
... como ainda não me esqueceste.
Mais curioso ainda que continues a procurar-me.
Em recados velados.
Em perguntas directas.
Em tentativas (pouco) disfarçadas.
Em convites 'segundo intencionados'.
Engraçado que eu tenha ficado em ti.
Mais curioso ainda porque faço de tudo para que não permaneças em mim...
Mais curioso ainda que continues a procurar-me.
Em recados velados.
Em perguntas directas.
Em tentativas (pouco) disfarçadas.
Em convites 'segundo intencionados'.
Engraçado que eu tenha ficado em ti.
Mais curioso ainda porque faço de tudo para que não permaneças em mim...
22 de abril de 2008
"Não és homem para mim!"
"Ele não servia mesmo para ti", disse-me ela, com convicção.
E eu, com a mesma certeza, concordei.
Reconforta-me saber que (ainda) não errei.
Que, mesmo algo enlevada por atenções e descoberta, nunca ceguei o meu sonho.
Agrada-me saber que não me perdi em promessas, nem me ofereci por lisonjas.
E que, mesmo me esgotando em solidão, nunca calei o meu âmago.
É bom olhar para trás e poder confirmar a nossa opção.
Dá-me confiança no (meu) futuro poder acreditar (sempre) no meu coração.
E eu, com a mesma certeza, concordei.
Reconforta-me saber que (ainda) não errei.
Que, mesmo algo enlevada por atenções e descoberta, nunca ceguei o meu sonho.
Agrada-me saber que não me perdi em promessas, nem me ofereci por lisonjas.
E que, mesmo me esgotando em solidão, nunca calei o meu âmago.
É bom olhar para trás e poder confirmar a nossa opção.
Dá-me confiança no (meu) futuro poder acreditar (sempre) no meu coração.
18 de abril de 2008
De feição
Há um certo tipo de cara que me repele à partida.
Com bocas muito pequeninas, testas minúsculas e narizes arrebitados que puxam o lábio superior, os olhinhos muito juntinhos...
Fazem-me (quase) sempre lembrar animais pequeninos e matreiros, dissimulados e fugidios... mas estúpidos!
Ou melhor, muito espertos mas naquela maneira reprovável de aproveitamento da boa vontade ou da ingenuidade de outros.
Furões!!
Seja como for, ciente (como sou) da importância da empatia imediata com base em sensações e primeiras impressões, este tipo de feição surge condenada inevitavelmente ao fracasso, no que à minha disponibilidade diz respeito.
E o mesmo aplico ao tipo de pessoa que critica sem saber e fala sem conhecer.
Ignorantes que vendem o que nunca compraram!
Ou aos que debitam opiniões exclusivamente baseadas no que pensam ou fazem, plenamente convencidos que tal deverá ser regra válida para todos, sem ter em conta que não há segredo único para a Felicidade... a não ser a constante busca e expectativa das diferentes formas da mesma.
Arrogantes que, do alto, derramam a sua sabedoria!
Ou então, simplesmente, sou eu que, hoje (ou sempre?) não estou de feição...
Com bocas muito pequeninas, testas minúsculas e narizes arrebitados que puxam o lábio superior, os olhinhos muito juntinhos...
Fazem-me (quase) sempre lembrar animais pequeninos e matreiros, dissimulados e fugidios... mas estúpidos!
Ou melhor, muito espertos mas naquela maneira reprovável de aproveitamento da boa vontade ou da ingenuidade de outros.
Furões!!
Seja como for, ciente (como sou) da importância da empatia imediata com base em sensações e primeiras impressões, este tipo de feição surge condenada inevitavelmente ao fracasso, no que à minha disponibilidade diz respeito.
E o mesmo aplico ao tipo de pessoa que critica sem saber e fala sem conhecer.
Ignorantes que vendem o que nunca compraram!
Ou aos que debitam opiniões exclusivamente baseadas no que pensam ou fazem, plenamente convencidos que tal deverá ser regra válida para todos, sem ter em conta que não há segredo único para a Felicidade... a não ser a constante busca e expectativa das diferentes formas da mesma.
Arrogantes que, do alto, derramam a sua sabedoria!
Ou então, simplesmente, sou eu que, hoje (ou sempre?) não estou de feição...
17 de abril de 2008
10 de abril de 2008
Nunca quis...
... que chegasse a este ponto.
Lutei tanto para que isto nunca acontecesse.
Mas sinto-me a perder terreno.
A perder esta guerra que a mim declarei.
Revejo-me nela e repudio-me... a mim... a ela.
Mas adivinho (sei!) que lhe vou seguir os passos.
Esbracejo em areia movediça, afundo-me.
Contra o meu querer, aquieto-me.
Somos os nossos piores inimigos, eu sei.
Principalmente se continuamos a culpar os outros.
Lutei tanto para que isto nunca acontecesse.
Mas sinto-me a perder terreno.
A perder esta guerra que a mim declarei.
Revejo-me nela e repudio-me... a mim... a ela.
Mas adivinho (sei!) que lhe vou seguir os passos.
Esbracejo em areia movediça, afundo-me.
Contra o meu querer, aquieto-me.
Somos os nossos piores inimigos, eu sei.
Principalmente se continuamos a culpar os outros.
9 de abril de 2008
Quando...
... te terei à minha frente?
Sorriso trocista, olhos a transbordar de riso.
Quando saberei que és real?
Corpo maciço, homem banal.
Quando me encontrarás?
Surpresa imprevista, acaso de sorte.
Quando me tomarás?
Bola de fogo, carinho brando.
Quando te perderás em mim?
Fim do caminho, vida completa.
Quando? Quando? Quando?
Quando deixarei de te esperar?
Sorriso trocista, olhos a transbordar de riso.
Quando saberei que és real?
Corpo maciço, homem banal.
Quando me encontrarás?
Surpresa imprevista, acaso de sorte.
Quando me tomarás?
Bola de fogo, carinho brando.
Quando te perderás em mim?
Fim do caminho, vida completa.
Quando? Quando? Quando?
Quando deixarei de te esperar?
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