20 de março de 2008

Estranhos...

... carinhos me prendem.
Chamas curiosas que não se apagam.

Ternuras que guardarei a vida inteira.
Prazeres que não deixam de me fascinar.

Sorrisos que lamento não conservar.
Cuidados que persisto em dedicar.

Singulares laços que atei.
Cofres fortes que, a cadeado, fechei.

Chaves que, propositadamente, perdi.
Segredos que, intencionalmente, esqueci.

19 de março de 2008

Desconfio...

... que o Amor é como o orgasmo.

Se te interrogas se já o sentiste...
... é porque nunca o viveste.

18 de março de 2008

Será...

... o meu ego que te agarra?
Os meus muros que te estimulam?

Que vês aqui neste nada?
Que quimera te prende a mim?

É o meu silêncio que te convida?
O meu gelo que pensas poder derreter?

Ou sou eu que te sustenho?
Eu quem te mantém cativo?

Serei, afinal, eu quem não te deixa partir?

17 de março de 2008

Queria...

... sentir-te aqui, bem perto.
Ver-te por dentro, ler o teu pensamento.

Gostava de saber que me sondas.
Que procuras conhecer o meu avesso.

Queria perceber-te vivo, inteiro, intenso.
E provar-te o fel e o mel.
Beber-te o amargo e o sal.
Inalar suor e incenso.

Mas és sombra que me segue e não se acerca.
És palavra muda, reservada e à distância.

Sinto-te adulto pleno de prudência.
E eu criança... engulo a impaciência.

14 de março de 2008

A Vida Normal

Poderá ser assim tão retrógrado?
Será assim tão vergonhoso?

Querer um corpo todas as noites na minha cama?
Um companheiro todos os dias na minha vida?

Pedir um colo que me abrace quando choro?
Um peito que me aninhe se estremeço?

Procurar um sorriso só meu?
Acreditar que, para ele, só existo eu?

Será assim tão estúpido desejar ser igual?
Assim tão errado sonhar uma vida normal?

13 de março de 2008

"Já pensaste?"

E acaso farei outra coisa?

Como deixar de pensar no nada que dizes ser tanto?
Como tentar explicar que não és enquanto não fores?

Uma vida só tua, uma casa que não deixas.
Uma ida para longe, uma fuga para a frente.

E, no meio, olhas-me por lentes coloridas.
Desenhas-me sentimento, pintas-me de mel.
Lês-me doce, diáfana, inventas-me coração.

E no fim?
Vês-me saída, sonhas-me salvação?

12 de março de 2008

Sem...



... me procurares, queres-me.
Sem me provocares, desafias-me.

Sem te confessares, descubro-te...

Mas se não te aproximas, afasto-te.
Se não me invades, repudio-te.

E se não me prendes, liberto-te.

11 de março de 2008

Dou-lhe a mão...

... e ele tenta abocanhar-me o corpo.

Não há meio termo, nem progressão.
Apenas saltos e repelões.

Não há ternura, nem interesse.
Só um fim, um desenlace.

Recolho depressa a minha mão.
E evito, mesmo a tempo, a dentada...

10 de março de 2008

Apresento-vos...

... a Maria Chocolate!! :)

Maria, cumprimenta os senhores! ;)

7 de março de 2008

Por vezes...

... sinto-te a falta.

Das palermices que me faziam rir.
Da teimosia que me tirava do sério.

Da companhia descomplicada num jantar improvisado enquanto víamos o jogo na televisão.
Da voz macia (tão macia) que usavas comigo ao telefone.

Das mensagens atrevidas e fora de horas.
Do "Beija-me" que surgia sem pré-aviso.

Por vezes sinto a falta do que me quiseste dar e eu não quis receber.
Do que tentaste desenhar e eu não consegui perceber.

Por vezes (só por vezes) sinto falta de ti.