14 de março de 2008

A Vida Normal

Poderá ser assim tão retrógrado?
Será assim tão vergonhoso?

Querer um corpo todas as noites na minha cama?
Um companheiro todos os dias na minha vida?

Pedir um colo que me abrace quando choro?
Um peito que me aninhe se estremeço?

Procurar um sorriso só meu?
Acreditar que, para ele, só existo eu?

Será assim tão estúpido desejar ser igual?
Assim tão errado sonhar uma vida normal?

13 de março de 2008

"Já pensaste?"

E acaso farei outra coisa?

Como deixar de pensar no nada que dizes ser tanto?
Como tentar explicar que não és enquanto não fores?

Uma vida só tua, uma casa que não deixas.
Uma ida para longe, uma fuga para a frente.

E, no meio, olhas-me por lentes coloridas.
Desenhas-me sentimento, pintas-me de mel.
Lês-me doce, diáfana, inventas-me coração.

E no fim?
Vês-me saída, sonhas-me salvação?

12 de março de 2008

Sem...



... me procurares, queres-me.
Sem me provocares, desafias-me.

Sem te confessares, descubro-te...

Mas se não te aproximas, afasto-te.
Se não me invades, repudio-te.

E se não me prendes, liberto-te.

11 de março de 2008

Dou-lhe a mão...

... e ele tenta abocanhar-me o corpo.

Não há meio termo, nem progressão.
Apenas saltos e repelões.

Não há ternura, nem interesse.
Só um fim, um desenlace.

Recolho depressa a minha mão.
E evito, mesmo a tempo, a dentada...

10 de março de 2008

Apresento-vos...

... a Maria Chocolate!! :)

Maria, cumprimenta os senhores! ;)

7 de março de 2008

Por vezes...

... sinto-te a falta.

Das palermices que me faziam rir.
Da teimosia que me tirava do sério.

Da companhia descomplicada num jantar improvisado enquanto víamos o jogo na televisão.
Da voz macia (tão macia) que usavas comigo ao telefone.

Das mensagens atrevidas e fora de horas.
Do "Beija-me" que surgia sem pré-aviso.

Por vezes sinto a falta do que me quiseste dar e eu não quis receber.
Do que tentaste desenhar e eu não consegui perceber.

Por vezes (só por vezes) sinto falta de ti.

6 de março de 2008

Ensina-me!

Diz-me como se faz!

Quero esquecer-me de mim, perder este medo de me perder.
Apaga traumas e passado, alisa o mar revolto que me afoga.

Ensina-me!
Diz-me como se faz!

Quero aprender a dar, entregar-me sem pensar.
Leva temores e anseios, corrige discurso e retrato.

Não sei querer-te, não preciso de ti.
Não quero tocar-te, não te sinto em mim.

Mas faz-te presente, torna-te meu.
Toca-me a alma, oferece-me paz.

Estou à espera que me ensines.
Preciso apenas que me digas como se faz.

5 de março de 2008

No metro...

... descubro-as, vistosas.
Mais ou menos produzidas.
Mais ou menos cientes do seu sex-appeal.

E sigo o olhar dos homens.
Mais ou menos contido.
Mais ou menos lascivo.

O espaço reduzido é inibidor.
Mas a viagem breve encorajadora.

Imagino-os casados, pais de filhos.
Com namoradas e outras vidas.

Mas uma mulher é uma mulher.
E um homem não é homem se não a (per)seguir...
... nem que seja apenas com o olhar.

4 de março de 2008

Espero...

... o dia em que já nada haverá por fazer.
Em que as mudanças surjam por gosto e não necessidade.

Quero o dia em que me sobre tempo e vontade... para mudar.

3 de março de 2008

Ela é...

... víbora mesquinha.

Pensa que a valoriza destruir as relações alheias.
E está convencida que ganha estima por maldizer.
No meio do lodo que cria, vê-se jóia única, estrela brilhante, mulher irresistível.

Mas ela é víbora mesquinha.

Denigre imagens, corrói amizades.
Usa o Mundo como melhor lhe convém.
E ilude qualquer ingénuo melhor intencionado.

E eu vejo o veneno que semeia.
E eu sinto a maldade que instila.

E eu espero que a sua capa tombe.
E rezo para que ao próprio veneno sucumba.