12 de março de 2008

Sem...



... me procurares, queres-me.
Sem me provocares, desafias-me.

Sem te confessares, descubro-te...

Mas se não te aproximas, afasto-te.
Se não me invades, repudio-te.

E se não me prendes, liberto-te.

11 de março de 2008

Dou-lhe a mão...

... e ele tenta abocanhar-me o corpo.

Não há meio termo, nem progressão.
Apenas saltos e repelões.

Não há ternura, nem interesse.
Só um fim, um desenlace.

Recolho depressa a minha mão.
E evito, mesmo a tempo, a dentada...

10 de março de 2008

Apresento-vos...

... a Maria Chocolate!! :)

Maria, cumprimenta os senhores! ;)

7 de março de 2008

Por vezes...

... sinto-te a falta.

Das palermices que me faziam rir.
Da teimosia que me tirava do sério.

Da companhia descomplicada num jantar improvisado enquanto víamos o jogo na televisão.
Da voz macia (tão macia) que usavas comigo ao telefone.

Das mensagens atrevidas e fora de horas.
Do "Beija-me" que surgia sem pré-aviso.

Por vezes sinto a falta do que me quiseste dar e eu não quis receber.
Do que tentaste desenhar e eu não consegui perceber.

Por vezes (só por vezes) sinto falta de ti.

6 de março de 2008

Ensina-me!

Diz-me como se faz!

Quero esquecer-me de mim, perder este medo de me perder.
Apaga traumas e passado, alisa o mar revolto que me afoga.

Ensina-me!
Diz-me como se faz!

Quero aprender a dar, entregar-me sem pensar.
Leva temores e anseios, corrige discurso e retrato.

Não sei querer-te, não preciso de ti.
Não quero tocar-te, não te sinto em mim.

Mas faz-te presente, torna-te meu.
Toca-me a alma, oferece-me paz.

Estou à espera que me ensines.
Preciso apenas que me digas como se faz.

5 de março de 2008

No metro...

... descubro-as, vistosas.
Mais ou menos produzidas.
Mais ou menos cientes do seu sex-appeal.

E sigo o olhar dos homens.
Mais ou menos contido.
Mais ou menos lascivo.

O espaço reduzido é inibidor.
Mas a viagem breve encorajadora.

Imagino-os casados, pais de filhos.
Com namoradas e outras vidas.

Mas uma mulher é uma mulher.
E um homem não é homem se não a (per)seguir...
... nem que seja apenas com o olhar.

4 de março de 2008

Espero...

... o dia em que já nada haverá por fazer.
Em que as mudanças surjam por gosto e não necessidade.

Quero o dia em que me sobre tempo e vontade... para mudar.

3 de março de 2008

Ela é...

... víbora mesquinha.

Pensa que a valoriza destruir as relações alheias.
E está convencida que ganha estima por maldizer.
No meio do lodo que cria, vê-se jóia única, estrela brilhante, mulher irresistível.

Mas ela é víbora mesquinha.

Denigre imagens, corrói amizades.
Usa o Mundo como melhor lhe convém.
E ilude qualquer ingénuo melhor intencionado.

E eu vejo o veneno que semeia.
E eu sinto a maldade que instila.

E eu espero que a sua capa tombe.
E rezo para que ao próprio veneno sucumba.

29 de fevereiro de 2008

E esta...


... vontade de te embalar?
De te soprar "Vai ficar tudo bem"?

E este aperto no peito por te sentir menino, perdido?
Por não poder dizer-te "Vem, eu posso ser o teu destino"?

E este (des)conforto por me rever em ti?
Esta (in)certeza de sermos (ím)par?

E esta vida que se repete eternamente?
E esta morte do sentir intensamente?

28 de fevereiro de 2008

O medo...

... criou-me sombras nos olhos.
E as sombras, agora, segredam-me sons.

O refúgio, quieto e só meu, devassaram.
E o medo, filho do susto e da p***, trouxeram.

Presente envenenado.
Prejuízo encapuçado.
O medo é, agora, meu enteado.