6 de março de 2008

Ensina-me!

Diz-me como se faz!

Quero esquecer-me de mim, perder este medo de me perder.
Apaga traumas e passado, alisa o mar revolto que me afoga.

Ensina-me!
Diz-me como se faz!

Quero aprender a dar, entregar-me sem pensar.
Leva temores e anseios, corrige discurso e retrato.

Não sei querer-te, não preciso de ti.
Não quero tocar-te, não te sinto em mim.

Mas faz-te presente, torna-te meu.
Toca-me a alma, oferece-me paz.

Estou à espera que me ensines.
Preciso apenas que me digas como se faz.

5 de março de 2008

No metro...

... descubro-as, vistosas.
Mais ou menos produzidas.
Mais ou menos cientes do seu sex-appeal.

E sigo o olhar dos homens.
Mais ou menos contido.
Mais ou menos lascivo.

O espaço reduzido é inibidor.
Mas a viagem breve encorajadora.

Imagino-os casados, pais de filhos.
Com namoradas e outras vidas.

Mas uma mulher é uma mulher.
E um homem não é homem se não a (per)seguir...
... nem que seja apenas com o olhar.

4 de março de 2008

Espero...

... o dia em que já nada haverá por fazer.
Em que as mudanças surjam por gosto e não necessidade.

Quero o dia em que me sobre tempo e vontade... para mudar.

3 de março de 2008

Ela é...

... víbora mesquinha.

Pensa que a valoriza destruir as relações alheias.
E está convencida que ganha estima por maldizer.
No meio do lodo que cria, vê-se jóia única, estrela brilhante, mulher irresistível.

Mas ela é víbora mesquinha.

Denigre imagens, corrói amizades.
Usa o Mundo como melhor lhe convém.
E ilude qualquer ingénuo melhor intencionado.

E eu vejo o veneno que semeia.
E eu sinto a maldade que instila.

E eu espero que a sua capa tombe.
E rezo para que ao próprio veneno sucumba.

29 de fevereiro de 2008

E esta...


... vontade de te embalar?
De te soprar "Vai ficar tudo bem"?

E este aperto no peito por te sentir menino, perdido?
Por não poder dizer-te "Vem, eu posso ser o teu destino"?

E este (des)conforto por me rever em ti?
Esta (in)certeza de sermos (ím)par?

E esta vida que se repete eternamente?
E esta morte do sentir intensamente?

28 de fevereiro de 2008

O medo...

... criou-me sombras nos olhos.
E as sombras, agora, segredam-me sons.

O refúgio, quieto e só meu, devassaram.
E o medo, filho do susto e da p***, trouxeram.

Presente envenenado.
Prejuízo encapuçado.
O medo é, agora, meu enteado.

26 de fevereiro de 2008

Se não...

... beber, qualquer gota me afogará.

Se não falar, qualquer som me ferirá.

Se os olhos fechar, a luz nunca me faltará.

Se ficar só, mais ninguém quererei ver.

E, se não comer... nunca mais terei fome.

(sim, fiz anos... mas, pelos vistos, nada mudou ;))

21 de fevereiro de 2008

O Amorrrrrrrrrr

Já não lia um romance há muito, muito, muito tempo.

Tinha-me esquecido que...

Ela sente choques eléctricos na coluna e no estômago sempre que ele a toca.
Ele não pára de pensar nela e acha-a mais atraente a cada dia que passa.

Ela fica sempre atrapalhada na presença dele.
Ele encanta-se com a sua graça e inteligência naturais.

Ela é sempre cativante, vulnerável e extremamente feminina.
Ele é sempre alto, musculado e extraordinariamente sensual.

Ela admira a determinação, a energia, a força e a estabilidade dele.
Ele deixa-se conquistar pelo jeito de menina, pelo feitio indomável, pela beleza simples dela.

Ela nunca sentiu algo igual por outra pessoa.
Ele nunca conheceu ninguém como ela antes.

Eles nasceram um para o outro...
... o côncavo do corpo dela encaixa na perfeição no convexo do corpo dele...
... e, claro!, serão felizes para todo o sempre.

Tinha-me esquecido do quanto gosto de um bom romance de cordel!! ;)

20 de fevereiro de 2008

Não te pedi...

... para lutares por mim.
Apenas disse que, quem quer, luta.

Não te pedi para me deixares.
Apenas disse que, quem não quer, acaba sempre por afastar-se.

Podes esperar por mim... mas eu sei que não vou chegar.
Posso esperar por ti... mas eu sei que não vais bastar.

Porque se ambos esperarmos...
... enquanto ambos esperarmos...
... perder-nos-emos um do outro...
... e outros nos encontrarão.

19 de fevereiro de 2008

Felicidade

Sim, eu já tinha lido o "Felicidade".
Mas rejeitei instintivamente "O Segredo".

Começaram a criar-me pruridos as fórmulas cor-de-rosa para atingir a plenitude... seja lá do que for.
Tal como também sempre me tinham causado aversão as revistas da mesma cor... as que tentam vender a 'realidade' que se julga perfeita, invejável e (in)alcançável.
Tal como também sempre me irritou a publicidade repleta de pessoas altas, magras e lindas... perfeitas, em suma.

Hoje li sobre o "Against Happiness: In Praise of Melancholy".
De repente, diz-se que a tristeza é louvável... natural, afinal.

Sim, afinal é aceitável ficar melancólico, de vez em quando.
Porque se perdeu o emprego.
Porque uma relação acabou.
Porque nem tudo na nossa vida é como sonhámos.

Sim, afinal a tristeza é necessária... benéfica até.
Ajuda-nos a lutar pelo que queremos.
E impede-nos de nos acomodarmos ao que não nos satisfaz.

Defende-se, afinal, que o segredo não está em procurar desesperadamente a Felicidade como no-la impingem...
... mas em aceitar tranquila (e quem sabe melancolicamente?) a sua 'intermitência'.

E esta, hein?