18 de fevereiro de 2008

Em dias assim...

... sentir-te-ia presente.
E isso seria suficiente.

Ouvir-te-ia, familiar.
Olhar-te-ia, à distância de um sussurrar.

Em dias assim, encontrar-nos-íamos em corredores, sofás, camas e tapetes.
Daríamos as mãos e seríamos paz.

Em dias assim, desencontrar-nos-íamos em tarefas e afazeres, em silêncios e distâncias.

Mas eu ouvir-te-ia, familiar.
E sentir-te-ia presente.

E isso seria suficiente.

15 de fevereiro de 2008

É...

... efectivamente uma questão de auto-estima.

Mas é também um acumular de "Adoro-te"'s sem fundamento.
Ou melhor, é uma constatação contínua da falta de fundamento de muitos "Adoro-te"'s.

E é um cansaço que se torna crónico.
E um desprezo que transformei num riso irónico.

É a certeza comprovada do egoísmo do desejo.
E a descrença completa no ridículo do amor.

É efectivamente uma questão de auto-estima...
... e do peso da vida que a mina.

14 de fevereiro de 2008

Hoje tive a prova...

... que continuo a ser o tipo de mulher a quem é mais fácil dizer

"Quero foder-te"

do que

"Teresaaaa... Amo-te muito!!"

13 de fevereiro de 2008

Sentes-me...

... distante, não é?
Desligada, fria, ausente.

Por isso, não me vens ler.
E, mesmo se ainda vens, não me falas.

Já não vives verdade no que escrevo.
Não tenho sabido tocar-te.

Não é verdade que não sinta.
Mas nem sempre sei dizer-to.

Rascunho, rasuro, apago... guardo para depois.
Adio, emendo, começo, desisto... vãs explicações.

Ainda estás aí?
Ainda te lês nas entrelinhas?

Desculpa.

Não é verdade que não sinta.
Mas é verdade que não te tenho feito sentir.

12 de fevereiro de 2008

Porque...

... achas que depende de mim?
Porque pensas que (não) me moldo?

Não invisto no que se 'esforçam' por me mostrar ou 'vender'.
Invisto no que me fazem sentir sem esforço e sem querer...

Gosto mesmo quando não quero.
Quero quem não gosta de mim.

Porque tem de ser assim?
E porque achas que depende de mim?

11 de fevereiro de 2008

É o teu...

... discurso que me afasta.
Que me enregela e faz pensar.

Para ti, sou pessoa... não mulher.
Intelecto... mas não corpo.
Emoção... mas não tesão.

Para ti sou saudade... não ligação.
Carinho... mas não abraço.
Futuro... mas não presente.

É o teu discurso que formata o meu.
E a tua ausência que provoca a minha.

8 de fevereiro de 2008

Deixas-me...

... ser criança?
Preciso que me mimes, que me cuides.

Deixas-me ser pequenina?
Preciso de colo, de carinho.

Deixas-me ser menina?
Preciso de rir, de brincar...
... de não pensar.

Deixas-me ser mulher?
Preciso de loucura, de calor,
de vontade, de suor.

Posso ser criança, pequenina?
Posso ser mulher, menina?

Deixas-me ser o que eu quiser?
Posso ser eu até querer?

7 de fevereiro de 2008

Hummm...

Interessante ter despertado a atenção deste blog...

Muito obrigada!

6 de fevereiro de 2008

"O que tu queres...

... sei eu!" diz ele, brincando comigo.

E eu penso que não sabe.
Porque até eu tenho dificuldade em defini-lo.

Sabe que quero um colo onde aninhar-me?
E uma solidão absoluta para que consiga ser eu?

Sabe que quero viajar e sair todas as noites?
E enrolar-me, maltrapilha e confortável, no sofá da minha sala?

Sabe que quero uma casa cheia de alvoroço?
E um silêncio impenetrável para que me possa ouvir pensar?

Sabe que quero um homem maduro e calmo?
E um jovem irrequieto, excitante e audaz?

Sabe que quero alguém e ninguém?
Muito e pouco?
Tudo e nada?
Sempre...
... e nunca?

1 de fevereiro de 2008

Nas...

... suas mãos, sou instrumento afinado.

O som que emito é perfeito.
O arco das minhas costas, inteiro.

Ao seu alcance, sou fácil.

Dou-lhe sempre o que procura.
Murmuro o que quer ouvir.

Ao meu alcance é eco que reproduz o que penso.
Nas minhas mãos é espelho que reflecte o meu desejo.

Ouço-o e escuto-me.
Olho-o e vejo-me.

Se o toco, sinto-me.
E se me mata... consigo viver.