22 de novembro de 2007

Se me apaixonasse...

... deixaria de escrever.
Se me amassem, perderia inspiração.

Emudeceria, por certo, perplexa,
Incapaz de 'cantar' satisfação.

Calaria sorte e fortuna.
Ignorante para exprimir ventura.

Guardaria agrado e bem-estar.
Inábil para contar felicidade.

E, encantada,
Mesmo que apenas por um instante,
Partiria.

21 de novembro de 2007

Coisas simples

Às vezes, o que se pede é tão simples que parece impossível não se obter.

Um compromisso é para manter (não para esquecer, não para adiar em cima da hora, não para deixar em aberto à espera de coisa melhor).

A verdade é para ser dita (não para ser macia, não para ser camuflada, não para ter de ser arrancada).

A coerência deve predominar (não ser perdida em frases feitas, não ser forçada a promessas, não ser vendida por medos e cobardias).

E a Amizade deve ser escancarada (não ter rédeas, nem peias, ser verdade e coerência, ser vontade e natureza).

Às vezes, o que se pede são apenas coisas simples...

20 de novembro de 2007

O segredo da Felicidade

Por várias vezes, já mo tentaram ensinar.

"Não penses, sente."
"Confia, rende-te!"
"Não exijas, oferece."
"Não sofras, avança..."
"Entrega-te, vive!"

E eu concordo, é claro.
Não é a atitude que questiono.
É o sentimento...

A scarf won't ever make me fly.

19 de novembro de 2007

Por mais...

... vezes que aconteça.
Por mais homens que conheça.

Por mais rios que me atravessem.
Por mais provas que me ofereçam.
Por mais egos que me trespassem.

Por mais braços que me prendam.
Por mais bocas que me jurem.
Por mais história que acumule.

Por mais fria que me torne.
Em mais céptica que me transforme.

Sei que nunca irei entender.
Por mais vida que viver.

16 de novembro de 2007

Não é fácil...

... saber que o teu toque me arrepia.
... ter aprendido que o teu abraço me faz tremer.
... lembrar que dançar contigo tudo faz esquecer.

Não é fácil...
... querer muito mais do que me podes dar.
... resistir ao que te dispões a partilhar.
... negar o que o meu corpo grita por aceitar.

E não é fácil...
... continuar a dizer-te 'Não'...
... quando não há mais ninguém a quem queira dizer 'Sim'.

15 de novembro de 2007

A pressa...

... de que me acusas é respeito.
Respeito pelo teu tempo, pela tua vida, pelos teus sonhos.

A minha pressa é decisão.
Pegar ou largar, sem protelar.

A pressa que te apressa é amiga, protege-te.
Evita-te ilusões, preserva a tua esperança.

A velocidade com que vivo é honesta.
Não empata, não desperdiça, não (ab)usa.

A pressa com que avanço e descarto é sincera.
Não te prende, não te engana... liberta-te.

Por isso, respeita-me, protege-me...
... apressa-te!

14 de novembro de 2007

Da série...

... de boas respostas que me faltam no momento certo...
... para a afirmação "Pensas demais":

"Neste caso, sinto de menos..."


13 de novembro de 2007

A casa...

... espera-me.
Escura e fria.
Deserta, sozinha.

O silêncio segue-me.
Quieto, sossegado.
Companheiro afeiçoado.

A solidão recebe-me.
Abriga-me, aquieta-me.
Abraça-me, aceita-me.

Suspiro.
É só aqui que não me sinto só...

12 de novembro de 2007

Realmente...

... há situações em que somos primorosamente ignoradas se tentamos falar de certos assuntos.

Há algum tempo atrás, irritava-me sobremaneira com quem já vaticinava o 'desfecho inevitável' deste campeonato... ainda a procissão ia no adro.
Mas, por acaso, alguém acreditaria que o Porto não iria perder pontos no decorrer desta prova?!
Condescendentemente, olhavam-me e diziam com segurança:
"Pois, talvez... mas vai ser muito difícil".
E assunto encerrado!

Em duas jornadas, o Porto perdeu 4 pontos e o Benfica ficou a depender só de si.
E a procissão ainda mal saiu do adro...

E agora?
Que vaticinam os 'entendidos'?

9 de novembro de 2007

Da minha fome...

... não falo.
É normal.
(A fome, entenda-se.
Não o silêncio.)

Da minha fome não falo.

Grito-a, em áridos desertos.
Escrevo-a, em folhas vazias.
Esvazio-a, em almas estéreis.
Despejo-a, em corpos tão famintos como o meu.

Da minha fome não falo.

Notam-se apenas vestígios.
Adivinham-se somente os sinais.

Da minha fome, mesmo muda, sou escrava.
Da minha avidez, escondida, prisioneira.

Na minha fome, murcho e definho.

Mas nela, combato e resisto.
E por ela, renasço e vivo!