15 de novembro de 2007

A pressa...

... de que me acusas é respeito.
Respeito pelo teu tempo, pela tua vida, pelos teus sonhos.

A minha pressa é decisão.
Pegar ou largar, sem protelar.

A pressa que te apressa é amiga, protege-te.
Evita-te ilusões, preserva a tua esperança.

A velocidade com que vivo é honesta.
Não empata, não desperdiça, não (ab)usa.

A pressa com que avanço e descarto é sincera.
Não te prende, não te engana... liberta-te.

Por isso, respeita-me, protege-me...
... apressa-te!

14 de novembro de 2007

Da série...

... de boas respostas que me faltam no momento certo...
... para a afirmação "Pensas demais":

"Neste caso, sinto de menos..."


13 de novembro de 2007

A casa...

... espera-me.
Escura e fria.
Deserta, sozinha.

O silêncio segue-me.
Quieto, sossegado.
Companheiro afeiçoado.

A solidão recebe-me.
Abriga-me, aquieta-me.
Abraça-me, aceita-me.

Suspiro.
É só aqui que não me sinto só...

12 de novembro de 2007

Realmente...

... há situações em que somos primorosamente ignoradas se tentamos falar de certos assuntos.

Há algum tempo atrás, irritava-me sobremaneira com quem já vaticinava o 'desfecho inevitável' deste campeonato... ainda a procissão ia no adro.
Mas, por acaso, alguém acreditaria que o Porto não iria perder pontos no decorrer desta prova?!
Condescendentemente, olhavam-me e diziam com segurança:
"Pois, talvez... mas vai ser muito difícil".
E assunto encerrado!

Em duas jornadas, o Porto perdeu 4 pontos e o Benfica ficou a depender só de si.
E a procissão ainda mal saiu do adro...

E agora?
Que vaticinam os 'entendidos'?

9 de novembro de 2007

Da minha fome...

... não falo.
É normal.
(A fome, entenda-se.
Não o silêncio.)

Da minha fome não falo.

Grito-a, em áridos desertos.
Escrevo-a, em folhas vazias.
Esvazio-a, em almas estéreis.
Despejo-a, em corpos tão famintos como o meu.

Da minha fome não falo.

Notam-se apenas vestígios.
Adivinham-se somente os sinais.

Da minha fome, mesmo muda, sou escrava.
Da minha avidez, escondida, prisioneira.

Na minha fome, murcho e definho.

Mas nela, combato e resisto.
E por ela, renasço e vivo!

8 de novembro de 2007

Eu sou...

... a mulher que procuras.

A que se deita no teu colo em busca de carinho.
A que te diz que é feliz só porque te encontrou.

A que te mima em gestos e mil palavras.
A que te procura e sente sempre a tua falta.

A que te quer e deseja e se deixa conquistar.
A que se te molda e encaixa e nunca te vai deixar.

Eu sou a mulher que insistes em procurar...
... se tu fores o homem que anseio encontrar.

7 de novembro de 2007

Este ano...

... anseio pelo Natal que se aproxima.

Quero a Árvore de Natal de que tinha abdicado há anos.
E aguardo, com alegria, o fim de semana em que enfeitarei a casa e farei o Presépio.

Vou inventariar o que me falta e comprar fitas, bolas, neve, luzes...
Quero acender a lareira (quando virá o frio?) e, a seguir à Missa do Galo, abrir os (poucos) presentes sentada no chão.

E quero-os lá... a todos... os meus 'favoritos'.
Os Pais muito amados.
A prima quase irmã.
A vizinha quase mãe.
Os amigos quase família.

Este ano, voltei a imaginar, com esperança, o Natal que se avizinha.
Mesmo sabendo que não irá ser nada como o sonhei...

6 de novembro de 2007

Há quem...

... parta sem nunca se ter ausentado.
E quem desapareça, sem nunca ter chegado a partir.

Há quem se despeça mas para sempre fique.
E quem nos abandone, sem nunca dizer adeus.

Há quem esmoreça e se esbata, na velocidade dos dias.
E quem se entranhe e que cresça, na monotonia das horas.

Há quem se empurre e resista.
Quem se puxe e tente fugir.

Quem se ama e nunca se quis.
E quem se quer mas nunca se conseguiu amar...


5 de novembro de 2007

Sem nada...

... lhe perguntar, dizia-me...

Que estava triste, perdida.
Que o desalento a derrotava, vencia.

Que lhe custava (cada vez mais) recomeçar...
... outra vez... mais uma vez.
Que já adivinhava futuros e desenlaces.

“Já lhes conheço todas as conversas, os sinais”
“Os inícios cheios de entusiasmo”
“Os fins repletos de desânimo”

Que amarfanhara a vontade de ser Mãe porque sabia...
... que, mais cedo ou mais tarde, o viria a ser sozinha...
... e ser Mãe, só para ser Mãe, isso não queria.

Que não conhecia relações felizes... de corpo e alma.
Amores sem traições... de corpo ou de alma.

Que ansiava ‘apenas’ por companhia.
Que procurava ‘apenas’ um companheiro.
Mas que esse pouco era tanto, tanto... e tão remoto.

E dizia-mo com voz de Primavera.
Com os sonhos todos ainda presos no olhar.

E eu pensei...
... ela sou eu a falar.

31 de outubro de 2007

Para sempre...

... serei a mais feia.
A mais pobre.
A menos afortunada.

Para sempre serei a mais sozinha.
A preterida.
A menos querida.

Para sempre lamentarei.
Continuamente chorarei.

Porque sou cega e triste.
Ingrata e sombria.


E de nada adianta
Ser mulher, não mais criança.
Para sempre serei a pior.
Mesmo sabendo ser melhor...