28 de setembro de 2007

Nada disto...

... devia ser assim tão difícil.

A busca incansável de algo intangível.
A crença simplória que existe magia.
A fé ilusória que a chama é real.
A espera do encanto em birra infantil.

Mas...
A chama exilou-se em seco deserto.
O encanto escondeu-se em ruas sombrias.
A magia morreu em sonhos passados.

E a criança,
Estúpida,
Persegue mitos.
Teimosa,
Finge descaso.
Apática,
Prossegue só.

26 de setembro de 2007

Distraída...

... assistia a mais um episódio de uma série favorita.
Enredo levezinho, romance q.b..

Numa cena, durante um jantar, o homem 'abre o jogo' e sugere abertamente uma noite escaldante (na sua perspectiva) à mulher que partilha com ele a refeição e que conhece há apenas umas horas.

Ela, entre a (aparente) surpresa e o ultraje que lhe provocou a sugestão, levanta-se ofendida e abandona o restaurante.

Pensei no que faria, no seu lugar... pensei no que já fiz, no seu lugar.

Nunca me ofendi com a sinceridade de um homem.
Aliás, acredito que, quando uma mulher o faz, fomenta a necessidade de floreados e incentiva a utilização de subterfúgios.

Porquê recusar ver o que nos é tão explicitamente delineado?
Quem deseja ser enganado, afinal??
E que direito temos, assim, de ficar surpreendidos quando isso acontece?



Nota:
Já vos disse que gosto mesmo, mesmo (mesmo!) da música que coloquei ali ao lado há já uns dias?! (Muito obrigada, A) :)

25 de setembro de 2007

Queres...

.. 'experimentar-me', eu sei.
Não te levo a mal por isso.

Queres provar a minha boca.
Saber como é um beijo meu.

Queres tocar-me, aprender-me.
Descobrir se encaixo em ti.

Queres sentir se sou abrigo.
Perceber se te dou paz.

Queres jogar ao faz de conta.
Destrinçar sonho e verdade.

Queres inventar um momento.
Desbravar um caminho.
Divisar horizontes.
E encontrar um destino.

E eu...
... não te levo a mal por isso.

24 de setembro de 2007

Agora...




... ando devagar...


... porque já aprendi que, quando me apresso, caio.

21 de setembro de 2007

"Escreves...

... como uma mulher bonita",
contou-me, como em segredo.

"Quero ver-te, conhecer-te!",
confessou, escondendo o medo.

E quando, frente a frente, me olhou...
Quando, lado a lado, me tocou...

Nos seus olhos não me vi,
Nos seus braços não fiquei,
Os seus passos não segui.
Nos meus passos me perdi.

20 de setembro de 2007

Até que ponto...

... nos mostramos como verdadeiramente somos quando começamos a conhecer alguém?

Quem conseguirá fugir à tentação de 'vestir' a sua melhor 'roupa'?
Quem resistirá a usar 'maquilhagem' e 'saltos altos'?
Quem não esconderá a sua 'barriga' num 'smoking' ou a disfarçará debaixo de alguns 'véus'?

É como a entrevista para o novo emprego.
A vontade intrínseca de impressionar do melhor modo.

É inato.
É humano.

E não deixa de ser verdadeiro...

19 de setembro de 2007

Fiquei...

... um pouco desiludida com os comentários do post anterior.
Com excepção dos que pouco sabem sobre mim, confesso que esperava mais das amigas que me conhecem há muitos anos.

A culpa será minha, acredito.
No cuidado de não expôr demasiadamente ninguém (coisa que já fiz no passado e de que não me orgulho particularmente) acabo por escrever cripticamente.

Mas, para algumas pessoas, não pensei ter de escrever:
"O X afirma, sem rodeios, nem meias palavras, que a nossa 'relação' tem um único propósito, motivo pelo qual mandei o X bugiar.
O X mandou-me uma sms a dizer 'Tenho saudades tuas'.
Para mim, o X prescindiu do seu direito de usar algumas palavras, no que à minha pessoa diz respeito.
Porque, para mim, de Amor (seja pelos amigos, família, companheiro, ...) tem-se saudade. Mas, de sexo, sente-se apenas falta."

18 de setembro de 2007

Cuidado com a língua!

"Tenho saudades tuas"
"Não tens saudades minhas?"

Saudade... o chavão estridente fere a minha sensibilidade.

Compreendo a leveza de um "que saudades do fondue de chocolate do Novo Altair" (passo a publicidade ;))
Aceito o desabafo "tenho saudades de andar de avião".

Mas não aprecio a leviandade de outras 'saudades' despejadas sem censura e sem pudor.

É que, de Amor, tenho saudade.
Mas, de sexo, sinto apenas falta.

17 de setembro de 2007

O teu comentário,...

... num post antigo, fez-me olhar para trás.
Recuei uns anos.

Não me reconheço nas palavras antigas, nas "Páginas Viradas".
Não naquelas, de 'desespero'.

Envergonham-me os textos, a cegueira, a infantilidade.

Já escrevo há mais de 3 anos, praticamente, todos os dias.
Evoluí? Mudei? Para melhor ou para pior?

Uma vez, um amigo disse-me que deixou de ler o meu blog quando ele deixou de ser "o Mundo visto pelos olhos de uma Mulher para passar a ser apenas o Mundo de uma Mulher".

Talvez, daqui a algum tempo, me envergonhe também do que escrevo hoje.
Talvez...

14 de setembro de 2007

Sempre...

... fui simpática.
Mas poucas vezes me entreguei.

Sempre fui inteligente.
Mas poucas vezes, esperta.

Sempre tive facilidade de expressão.
Mas poucas vezes me entendem.

Sempre me foi fácil viver.
Mas poucas vezes o fiz.

Sempre me senti abençoada.
Mas poucas vezes, feliz.