3 de maio de 2007

É o medo...

... que me faz sempre recuar.
É o receio que atrasa o meu passo, que me paralisa e prende.

É o pesar dos prós e contras que me faz hesitar.
É o cuidado em proteger e não magoar que me impede de avançar.

Fora imprudente e assentiria.
Temerária e mergulharia.

Desta vez, porém, receio por ti.

És tu que te expões e arriscas.
Tu quem investe e insiste.

Desta vez, temo por ti...

2 de maio de 2007

Quem diria...

... que depois de ouvir, por várias vezes, a palavra errada da pessoa certa, pudesse ser ainda pior ouvir as palavras certas da pessoa errada.

27 de abril de 2007

Naquele tempo...

... dizia que eu não era livre.
Preocupava-se por me prender.

Eu assegurava-lhe o contrário.
Que o meu tempo eu oferecia a quem queria.
E que se quisesse outro alguém, o que existia entre nós não me impediria.
Mas sempre impediu.
E eu não sabia.

Hoje digo-te o mesmo.
Sinto que te prendo... que me esperas.

Fui feliz depois dele.
Sei que também o serás...
... quando me deixares ir.

26 de abril de 2007

Distâncias

É realmente estranha a vida.

Quando estamos juntas parece sempre que o tempo não passou.
Não há desconforto pelas ausências prolongadas.
Os risos são os mesmo de quando estávamos no liceu.
Os vossos filhos são agora factor de união em vez de escavarem um fosso ainda maior na diferença das nossas vidas.
E tudo isso é (tão) bom.

Já convosco...
Vivemos paredes meias, privamos diariamente.
Mas o silêncio é pesado, a distância é imensa.
Um passo é a travessia de um abismo.
Uma palavra é um grito no vácuo.

Convosco, na ausência, não há lembrança.

Com elas, a ausência é lembrança e a presença, saudade.

24 de abril de 2007

Maneiras

A minha boa educação é, muitas vezes, confundida com doçura.

O meu cuidado em ser gentil, em não ferir é tomado como bom feitio e suavidade de carácter.

A facilidade com que (sor)rio, a prontidão de um cumprimento, a vontade de agradar, a sinceridade dos meus elogios são encaradas como brandura e ternura de modos.

Mas este verniz também estala... amiúde.

Pisam-me os calos e grito.
Se me maltratam, riposto.

Invadem-me e protesto.
E se me magoam, mato... em mim o que fizeram... e nos outros o que lá deixei.

23 de abril de 2007

Não há nada...

... tão influente como uma atitude inspiradora!

Mais importante do que nos é dito é o modelo real de um comportamento e de uma postura perante a Vida e os Outros.

Mas, toma cuidado.
Por vezes é tão mais fácil seguir um mau exemplo...

20 de abril de 2007

As pessoas...

... são como as frutas.

Umas naturalmente doces.
Outras intrinsecamente amargas.

Umas colhidas na flor da idade.
Outras deixadas a apodrecer nas árvores ou no chão onde caíram.

Umas, apanhadas cedo demais, possuem o travo acre do verde.
Outras, maduras do sol e do tempo, ganham o gosto bom da idade.

Depois há as frescas e sumarentas com que lambuzamos boca e mãos.
E as secas e calóricas com as quais convém ser comedido.

O que não se pode é pedir a um limão para ser banana.
Nem esperar que uma amêndoa se transforme em uva.

Pois não?

19 de abril de 2007

Intermitências da Vida

Haverá, realmente, sinas e karmas?
Opostos que se atraem, metades que se completam?
Ciclos viciosos (virtuosos?), círculos que se fecham?
Regresso às origens, passado que se reata?

A minha vida é intermitente, desfasada.
Mercê da intermitência alheia.
Domínio do desfasamento interior.

E sinto-o como sina.

O querer descontínuo.
O entusiasmo a espaços.

A paixão conveniente.
A conveniência do idílio.

Mas eu sou linha recta em gráfico cardíaco.
Sou mar flat para surfista experiente.

O que sinto, dura para sempre.
E o que me conquista, fá-lo para a Vida.

18 de abril de 2007

Sei que queres...


... que escreva sobre ti.

Sei que esperas ler aqui o que não te digo em discurso directo.

Sei que me consideras mais verdadeira quando não dou a cara.

Sei que acreditas mais em mim quando não me esquadrinhas o olhar.

Mas o que o meu corpo diz não pode ser lido.

O que as minhas mãos procuram não pode ser interpretado num qualquer punhado de palavras.

E o que a minha alma grita não pode ser fingido, assim, em prosa fácil, leviana.

Sei que queres que escreva sobre ti.
Mas eu quero que me leias sem nada ter que explicar...

17 de abril de 2007

Limites

Atingi o meu limite de complacência e apoio incondicional ao SLBenfica, na 5ª feira da semana passada, no Estádio da Luz.
Não que os tenha vaiado (acto que considero estúpido e atrasado quando dirigido à nossa própria equipa e aos nossos próprios jogadores).
Apenas se me esgotou a capacidade de continuar a cantar e a apoiar sem hipocrisia, com fé nos resquícios de esperança que ainda existiam na salvação da época.
E por isso, ontem, mesmo tendo um bilhete oferecido... fiquei em casa.

Não concordo com a atitude tão portuguesa de "Coitadinhos, estavam cansados... tinham muitos jogos nas pernas... muito já conseguiram eles!"
Faz-me lembrar os recentes festejos do 2º lugar da Selecção no Europeu.

Eu nunca consegui festejar derrotas.
E tenho este maldito defeito de exigir sempre e só o melhor ao que amo.

Na próxima época lá estarei... depois de lamber cuidadosamente as feridas e reabastecer novamente as reservas de fé, ânimo e confiança.

Até lá...
VIVA o SLBENFICA!!
SEMPRE!!