8 de janeiro de 2007

Às tantas...

... habituei-me.
Não sei bem quando, nem porquê.

Agradeço a paz da minha casa (ou a música alta quando estou para aí virada).
Aprecio a liberdade de ir, se quiser (e ficar sempre que me apetece).

Gosto da autonomia e da independência.
Da possibilidade de dormir até mais tarde ao fim de semana.
De todos os compromissos serem apenas meus.
De poder dormir com quem eu quero e não com quem tem o direito de se deitar ao meu lado.
E de dormir sozinha sempre que não me apetece companhia.

Por vezes, chego mesmo a recear que me seja concedido o que sonho.
Porque talvez (just maybe) venha a lamentar perder tudo o que tenho.

5 de janeiro de 2007

A Sabedoria de Deus


Há muito que acredito que nada o é por acaso.

Se Deus me tivesse feito mais bonita,
seria insuportavelmente vaidosa.

Se me tivesse feito mais inteligente,
o meu orgulho seria intolerável.

Se me tivesse feito mais segura,
a minha arrogância tornar-se-ia inaceitável.

Se mesmo assim, já peco por falta de humildade e modéstia, imagino como seria se fosse mais perfeita...

Sim, Deus sabe mesmo o que faz.
Deu-me apenas o que mereço.
E, por isso, Graças a Deus!

4 de janeiro de 2007

A graça da Mulher Só

Perdão se vos enganei.

Se vos fiz acreditar que estaria melhor acompanhada.
Se vos segredei nas entrelinhas que precisava de alguém para ser feliz.

Pois a minha dor nasceu comigo.

A cruz de querer sempre mais, de procurar sempre melhor.
O desassossego de crer que a perfeição existe e me aguarda.

A certeza de saber sempre tão bem o que não quero.
O tormento de preferir ser só a ser mentira, ilusão.

O suplício de ser só... e gostar!

3 de janeiro de 2007

Bombeira!

Cada vez te dou mais razão... devia ter ido para bombeira.
É que não há mesmo fogo que eu não apague!!

2 de janeiro de 2007

'tadinha??

"Tadinha..." disseste tu, meio rindo, meio lamentando.

Sorri abertamente, naquele momento.
"Tadinha?? Porquê?" respondi, surpreendida.

Percebi que não tens mesmo noção da (minha) realidade.
E achei que não valia a pena esclarecer-te.

Talvez fosse apenas uma provocação para que cedesse à tua vontade.
Ou talvez não...
É possível que acredites mesmo que a minha atitude seja de lamentar.

Mas a minha fome não é de corpos, é de alma, de sentimento.
E um corpo a mais só alimenta o vazio que sempre fica... depois.

28 de dezembro de 2006

Pergunto-me...

... se morri sem disso me aperceber.

Interrogo-me se o meu corpo sabe que já nenhuma alma aqui habita.

27 de dezembro de 2006

Lá fora...

... frio intenso.
Mãos que gelam.
Lábios gretados.
Pele sem sangue.
Quilos de roupa.
Lareiras e aquecedores.

Mas cá dentro... fervilho!

Listo afazeres.
Sonho planos.
Traço metas.
Defino calendários.

Está tão perto... já ali.

O futuro começou ontem.

21 de dezembro de 2006

Fantástico é...

... um conjunto de vozes desafinadas
fazerem um coro afinado e harmonioso.

E se o conseguimos fazer num concerto
porque não transpôr essa harmonia para o Mundo
e começamos a falar a uma só Voz?

Temos apenas que aprender a cantar a mesma Música...



Feliz Natal!

20 de dezembro de 2006

Éramos 5

Jovens, alegres, ruidosos.

Vocês acabadinhos de sair da faculdade.
Eu, pouco mais velha, tentava manter a distância e impôr algum respeito.

Sempre vos disse que éramos colegas, não amigos.
Que, se um dia a Vida nos apartasse, os laços se desatariam.

A Vida fez das suas...
E os laços estão cada vez mais lassos.
Manter-se-ão?

19 de dezembro de 2006

"Fica sempre bem...

... culpar os pais" afirmou uma personagem da minha série preferida.

Sim, é uma boa desculpa... que, por vezes, até consegue ser válida.
Culpar os progenitores pelos nossos traumas, defeitos e feitios.
Justificar os nossos erros e incapacidades com a educação ou a herança genética.

Sei que fui cerceada.
Feitio rebelde e teimoso, tive de ser domada ferreamente, sem apelo, nem agravo.

Posso até responsabilizar os meus pais pela minha insegurança e falta de auto-estima.
Mas só depende de mim mudar.

E acredito que podia ser uma pessoa completamente diferente se tivesse tido pais mais permissivos, mais indulgentes, mais babados pela sua filha.
Mas, provavelmente, não seria uma pessoa melhor.