9 de agosto de 2006

A sina

Intrigava-me esse teu karma.
Ouvia perplexa as tuas histórias.
Sempre o mesmo fim, o mesmo desfecho.

Sofria por ti, claro.
Mas não conseguia entender.
Seria incapacidade de ajuizares caracteres?
Escolhas sistematicamente erradas?
Ou, pura e simplesmente, falta de sorte?

Finalmente, entendi.
A tua insegurança inicial transforma-se rapidamente em confiança excessiva.
Deixas de prestar atenção, de te fazer presente.
Assumes a conquista como um fim... quando, bem pelo contrário, é precisamente nessa altura que tudo começa.

Ninguém é 'garantido', ninguém fica se não se sentir querido.
E tu ignoras sinais e alarmes, sirenes e avisos.

Surpreendes-te quando acaba, carpes mágoas.
E segues, resignando-te à tua 'sina'.


8 de agosto de 2006

Velocidades do Amor

A que velocidade nos podemos apaixonar?
Uns minutos, umas horas, dias, semanas, meses, anos?

Alguém escreveu sobre o assunto?
Existirão regras, manuais, compêndios, directrizes?

Porque será o amor 'instantâneo' olhado de lado, encarado com desconfiança?
Porque temos dificuldade em acreditar no romantismo exacerbado, desavergonhado?

Um "amo-te" ouvido dias após o primeiro contacto terá menos valor do que o dito meses mais tarde?
Um "casa comigo" será menos crível num relacionamento imberbe?

E um "vamos com calma"?
Terá o poder de travar sentimentos, abrandar emoções?

Qual é, afinal, a velocidade máxima permitida ao amor?
E, já agora, se souberem, qual é a mínima?

7 de agosto de 2006

Sim, é complicado

Imagina o seguinte...

A tua vida traçou linhas, construiu trilhos, desbravou silvas e limites.
Meio perdida, recolheu flores ao longo do caminho, magoou mãos e canelas, caiu, mas nunca desistiu.
Vislumbrando o horizonte, reconheceu cores e cheiros, estabeleceu metas, reiniciou por várias vezes a jornada.

Sem esperar, sugerem-lhe que pare de caminhar, que desista de trilhos e atalhos.
Acenam vagamente a oportunidade de seguir pela estrada principal.
Em veículo motorizado, climatizado.
GPS com destino definido e já inserido.

Terá que abandonar flores e sandálias.
Privar-se de cheiros e terra.
Perder cor e (m)ar.

Que fazer, então?

Chegar depressa, em conforto?
Ou continuar a vogar contra a corrente?

Abraçar estrada e oferta?
Ou manter a crença que grandes felinos (ou simples gazelas) pertencem, impreterivelmente, ao seu percurso?


4 de agosto de 2006

E quando a bota...

... não bate com a perdigota?

Quando se ouve algo de beltrano e, sobre o mesmo acontecimento, se percebe algo diferente nas palavras de sicrano?

E quando o que os olhos dizem não corresponde ao que os lábios proferem?

Quando o que o corpo cala grita mais alto do que o silêncio obstinado?

Em que(m) acreditar nessa hora?

3 de agosto de 2006

Nota mental

Tentar ser mais educada aqui no blog!

Quem comenta há-de dizer que me são indiferentes as suas opiniões, quando é precisamente o contrário.
Anseio por cada nova perspectiva que me oferecem, por cada ralhete dado com boa intenção, por cada visita apenas para 'saber as últimas', por cada 'olá' deixado ao acaso num post.

Portanto, aqui ficam algumas respostas atrasadas...

Cerejinha, gostei muito da tua visita que retribuí :)
Curiosamente, temos mais em comum do que à primeira vista me pareceu... ;)

Musician, a vida dá muitas voltas, realmente... mas em tantas ocasiões traz-nos ao ponto de partida ;)

Sinal de quê, gigas? ;)
Gostei muito do teu 'world'.

Gosto de saber que continuas a acompanhar-me, miguel :)
E, claro, critica sempre que achares necessário ;)

Gostei das tuas palavras, Nuno (e agradeço, realmente, que não faças comentários sobre o meu Benfica... LOL)

Obrigada, Rui :)
Vou ficando... ;)

Sim, E.A., na maioria das vezes também defendo que 'devagar se vai ao longe' ;)

E eu que gosto tanto de dançar, José :)

Coccinella, somos bastante parecidas... já reparei nisso mais vezes :)

Vontade própria, sf?
Sim, acho que se pode arranjar aqui qualquer coisa... ;)

Obrigada a todos... voltem sempre! :)

2 de agosto de 2006

De bem...

... com a vida.

Pelo menos foi isso que me disseste... que eu parecia "de bem com a vida".

Percebi-te... o optimismo transparecia em cada palavra que te dizia.


Às tantas perguntaste: "E não achas pouco, o que tens?"
E eu respondi apenas: "Acredita... é suficiente"

Como se prolonga este sentimento?

1 de agosto de 2006

Já vi!

Sim, foi ontem.
Já me tinhas falado neste episódio e a seguir tinha lido sobre ele aqui.
Mas nada como acompanhar a Carrie 'em pessoa'.

Este ano, no meu círculo de família e amigos mais chegados (ou seja, para os quais devo contribuir com uma lembrança) nasceram/vão nascer 11 crianças.
Nos últimos anos, tenho passeado entre casamentos e divórcios, baptizados, nascimentos e aniversários de rebentos e crias.
Com alguns amigos, chegámos mesmo a firmar o pacto de não dar prendas a adultos, apenas a crianças... que actualmente nos suplantam largamente em número.

Habituei-me a não conseguir conversar por mais de 2 minutos seguidos sem ser interrompida por uma queda, uma gracinha, uma birra ou um choro.
Posso dar palestras sobre a gravidez... problemas, complicações, sintomas, sinais, infertilidade, tratamentos, enjoos, alimentação...
Adaptei-me às saídas de adultos que têm de acabar antes das 23h.
E resignei-me à exclusão de certas reuniões em que, inevitavelmente, destoo.

Mas isso não é, realmente, o pior.
O pior é mesmo quando alguém me faz sentir fútil ou inútil, apenas porque não procriei.
O olhar de comiseração, o abanar de cabeça condescendente, a mão que aperta o meu braço em sinal de apoio e confiança no 'futuro'.

Não compro sandálias de 400 euros mas não deixo de me rever na Carrie.
E acreditem, tal como ela, acredito que a minha vida faz todo o sentido.

31 de julho de 2006

Confesso...

... que me surpreendeste.
Ou melhor, surpreendi-me a mim mesma pela minha reacção ao perceber o que estava a acontecer.

Luto para controlar o instinto controlador, o ciúme irracional, a mania de que "eu é que sei e eu é que estou certa" e calo críticas e sentenças... mas fico a remoer.

Já fiz o mesmo mas, estupidamente, não o esperava vindo de ti.
E o que é aceitável em mim torna-se, inexplicavelmente, condenável em ti.

28 de julho de 2006

Is there anybody out there?

Não dá pica escrever quando sabemos que ninguém lê.
Não entusiasma falar quando percebemos que ninguém ouve.

[É um pouco assim como o jogo de ontem do Glorioso SLB... ;)
Para quê o esforço quando nada de importante está verdadeiramente em jogo?
(Pelo menos, eu quero acreditar que foi isso que aconteceu... LOL)]

Desinspira, desalenta, esvazia... de vontade, de engenho e habilidade.
É como um grito no vácuo.
Surdo, mudo, não serena, não alivia.

Aguardo, observo, desanimo.
Permaneço...

27 de julho de 2006

Grrrr...

Não percebo porque tem que ser tão complicado.
Porque tenho que andar de mansinho [em 'pés de bicos', como eu dizia quando era mais pequena].

Canso-me com tanto volteio.
Irritam-me os véus e a aparente indiferença.

Como é que dizias, há tempos?
"(...) não sei se tenho tempo nesta vida, para tanta timidez (...)"

Eu sei que é isto que dá cabo de mim.
A pressa, a urgência... a sede com que bebo do pote.
Melhor...
... sei que é isto que nos vai matar.

Grrrrr!!