14 de setembro de 2004

"Portento"



do Lat. portentu
s. m.,
coisa ou sucesso prodigioso;
maravilha;
pessoa de talento extraordinário.

É assim que me apetece definir a Madonna e, em particular, o concerto a que assisti ontem.

Não afirmo que a Madonna tenha uma voz extraordinária.
Não defendo a qualidade das suas músicas.
Mas uma coisa é certa:
A forma física, o carisma e a força desta mulher de 46 anos, mãe de dois filhos, são impressionantes, envolventes, únicos.
O seu verdadeiro talento reside, sem dúvida, na arte de liderar tendências, criar modas, reinventar-se permanentemente.
A sofisticação, a tecnologia tão artisticamente utilizada, a extravagância e a polémica a que já nos habituou...
O seu concerto foi verdadeiramente um espectáculo!

De muitos outros artistas, provavelmente o que assistimos ontem seria, tão somente, uma 'salganhada'.
Mas, desde a gaitas de foles e saias escocesas, até ao 'disco sound', passando por John Lennon e a guerra do Iraque, tudo foi utilizado com um fim muito específico.
Esta 'menina' está muito mais política e socialmente interventiva e muito menos provocante e atrevida. Deve ser a idade... ;)

O que é certo é que, como sempre, não tem pruridos em cantar aos 7 ventos o que defende como pessoalmente correcto (agora, quase sempre, também politicamente correcto).
Ontem, assisti a milhares de pessoas a cantar o 'Imagine' do John Lennon, contra o terrorismo (simplesmente arrepiante)!
Vi-a vestida à militar, apresentando armas como se de um soldado se tratasse, com o Bush, como cenário, descansando no ombro do Saddam.
Ouvi-a criticar Hollywood e a mente pequenina do seu país.
Testemunhei a utilização da imagem de Jesus e outros sinais religiosos só para bem do espectáculo e da sua mensagem.

Enfim, tudo lhe assenta como uma luva, tudo parece seguir um desígnio, tudo é milimetricamente previsto e ensaiado.

Só uma coisa a assinalar.
O meu patriotismo obriga-me a dizer que a frase contra o terrorismo estava em espanhol e que a bandeira de Portugal não figura entre as tantas que se vêem durante a música 'Holliday' (onde estão, afinal, as 'every nation'??).

13 de setembro de 2004

"Quem tem filhos...

...tem cadilhos! Quem não tem, cadilhos tem!"

É um ditado bem antigo e penso que só quer dizer que qualquer 'tipo de vida' tem sempre vantagens e inconvenientes.
Se somos casados, invejamos os solteiros.
Se somos solteiros, adorávamos ser casados.
Se não temos filhos, sonhamos com o dia em que isso virá a acontecer.
Se já os temos, suspiramos pela vida descansada de quem não os tem.

Enfim, nunca estamos satisfeitos...
Muitas vezes não conseguimos enxergar o que a nossa vida tem de bom no presente e, por esse motivo, não chegamos a disfrutá-la correctamente, sempre na ansiedade do futuro.

Este fim de semana estive num baptizado!
Os convidados, quase todos da idade dos pais da criança baptizada, tinham, também eles, levado as suas crias.
Ora, o que me deixou intrigada foi o facto de que o único tema de conversa no decorrer da festa foi, única e exclusivamente, a Paternidade e os Filhos.
Compararam-se os sons dos choros, as rotinas do sono dos bébés, as feições e expressões faciais, as roupinhas e os brinquedos, contaram-se as gracinhas das crianças e as horas de sono dos papás, trocaram-se idéias e truques para gastar menos e descansar mais...

O que será que muda depois da Paternidade?
Será que deixamos de ser indivíduos com interesses, actividades, gostos, hobbies, empregos, para passar a ser, única e exclusivamente, pais e mães de alguém?
Será que tudo o resto no Mundo perde a devida dimensão?
Ou será que a ganha, finalmente?

10 de setembro de 2004

Casas de Banho



Não cesso de me admirar com o que leio nas paredes e portas das casas de banho públicas.

Desde declarações de amor até denúncias sobre comportamentos alheios, passando por anúncios mais ou menos decorosos, desenhos, poesia erudita e popular e discussões acesas (tipo fórum, onde cada um pode dar a sua opinião), tudo se pode ler e encontrar nestes locais.

Pergunto-me que tipo de pessoas se entreterá a escrever o que depois qualquer utilizador daquele WC lerá?
Que tipo de satisfação ou recompensa trará ao seu autor?
Será apenas uma outra forma de 'blogar'? ;)

9 de setembro de 2004

A propósito...

... de nada!
Só pela beleza da frase e pela verdade do conteúdo.
Este rapaz anda a surpreender-me pela positiva (apesar de ser do FCP... ;)).
Já não bastava o 'Equador', agora isto:

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares sobre sua mãe Sophia de Mello Breyner...

8 de setembro de 2004

Saga

Questão do Dia:
"Que fazer quando não confiamos nos nossos médicos?"

Nos últimos tempos, vi-me envolvida numa 'saga estomatológica'!

O meu dentista de sempre reformou-se, deixando o seu consultório entregue à filha.
Na minha primeira consulta com a referida personagem, eis que me vejo deparada com o 'facto' de que possuía 3 ou 4 cáries a precisar de tratamento.
O diagnóstico foi feito sem recorrer a exames complementares, tais como uma simples radiografia. Ou seja, a conclusão resultou de uma simples observação 'a olho nú'!

Por um acaso do destino, vi-me obrigada a consultar um outro dentista (de quem não possuía as menores referências) que, efectuando o mesmo exame 'a olho nú', não identificou nenhuma cárie. Nem uma!
Estranhando que a médica anterior o tivesse conseguido fazer, recusou-se a levar a cabo qualquer tipo de tratamento, sem antes realizar à minha boca uma radiografia panorâmica (fiquei a saber que este termo também se aplica à estomatologia...).
Já de posse da desejada radiografia, voltei ao mesmo médico que, após análise da mesma, me informou que havia apenas uma situação a cuidar. Não exigia tratamento urgente, mas seria aconselhável não a esquecer.

Finalmente, e para tirar dúvidas, decidi procurar uma 3ª opinião.
Dirigi-me a uma clínica, destas modernas, onde o staff é jovem e as normas, nomeadamente as de higiene, são sempre segundo alguma grande e conceituada instituição internacional...
Levei a famosa radiografia.
Qual não é o meu espanto quando, após um aturado check-up inicial, recebo a agradável notícia de que tenho uma excelente higiene oral (se tivesse ouvido o contrário, de certeza que não vos diria... ;)), não possuo uma única cárie, nem é, neste momento, necessária a costumeira destartarização e não existe sequer nenhuma situação a vigiar!

E agora???
Em quem confiar??

Fora de brincadeiras, alguém conhece um dentista honesto, fiável e bom profissional que me possa indicar?

7 de setembro de 2004

Coisas que me irritam...

Na Rua

- Condutores que não param nas passadeiras;
- Transeuntes que percorrem os passeios como se os tivessem pago para utilização exclusiva (não se desviam, obrigando os restantes a recorrer à estrada para não serem abalroados);
- Passeios nojentos (note-se que os animais não são de culpar...);
- Pessoas que não pedem licença e não agradecem quando se lhes dá passagem;
- 'Gente' que cospe para o chão e urina nas esquinas;
- Piropos ordinários;
- Pedintes e 'vendedores' que não aceitam, à primeira, um 'Não' como resposta;
- Questionários que nos prometem demorar 5 minutos e acabam por levar meia hora;
- O medo que nos acomete e a atitude desconfiada e receosa quando se avista alguém 'mal encarado' (que triste fico por pensar que posso estar a interpretar 'mal' uma pessoa honesta).

O Homem está cada vez mais rude e prepotente, apesar de tantas leis e regras impostas (ou será por causa delas?).
Falta-lhes ao respeito sistematicamente e, mais grave ainda, não cumpre as mais básicas regras morais e éticas... nem sequer as da boa educação!
Atropela-se e inibe escrúpulos para atingir os seus fins.

Devo estar a ficar velha e intolerante porque só me apetece dizer:
"Onde iremos nós parar?"

6 de setembro de 2004

Sede de Mudança

Recentemente, fui atacada por uma febre que dá periodicamente a tantos indivíduos do sexo feminino: a Sede de Mudança.
Afecta-nos a vários níveis: vestuário, decoração, habitação...
Penso que, no caso dos indivíduos do sexo masculino, esta febre ataca mais a nível profissional e, infelizmente, a nível emocional (antes era a crise da meia idade, agora já não escolhe idades...).
Mas não vou por aí...
Não me sinto, neste momento, com capacidade para desbravar esse mundo ainda tão obscuro para mim: o Planeta dos Homens. ;)

Mas nós, as Mulheres, somos realmente assoladas pela monotonia, pela rotina e pela falta de novidades 'estéticas'.
Pelo menos, eu sou.

O nosso roupeiro, ao fim de algum tempo, sem as referidas novidades, provoca-nos a exclamação: "Não tenho nada para vestir!"
O sofá, eternamente em repouso no mesmo canto da sala, faz-nos suspirar com uma resignação mal conseguida.
A nossa casa torna-se mais pequena e menos atraente com o passar dos anos.
A solução (para quem não pode comprar outra) é renovar, remodelar!

Por esse motivo, este fim de semana andei em remodelações! :)
Virei a minha sala e o meu hall completamente do avesso.
Até parece que mudei de casa...
Fez-me sentir também renovada. ;)

No fundo, qualquer Mulher defende a 'filosofia ecológica' dos 3 R's:
"Reduzir, Reutilizar e Reciclar"!
Só que, neste caso em particular, trata-se apenas de Reciclar o desperdício e Reutilizar o aproveitável, tentando Reduzir ao máximo os gastos. ;)

Beslan

Não pensem que é coincidência, falta de interesse ou desconhecimento, a ausência de um post sobre o massacre na Rússia (Ossétia do Norte?? Nunca tinha ouvido falar e, por semelhante motivo, preferia nunca ter ouvido!).

Simplesmente, recuso-me a comentar tal atrocidade.
Acho que, mesmo que quisesse tentar, não teria suficientes palavras de revolta no meu vocabulário. :(

3 de setembro de 2004

O Véu

Existem leis absolutamente incríveis!

Algumas pelo simples facto de que, mesmo que não existissem, cumprir o que ditam me pareceria apenas uma questão de bom senso.
Porque será que existe a lei do silêncio entre as 22h e as 10h da manhã?
Não será lógico que, durante a noite, e salvo raras excepções, se deverá respeitar o sono dos outros?
E a velocidade dentro de uma localidade e perto de escolas, por exemplo?
Não será evidente que se deverá circular com maior precaução e cuidado em locais onde adultos e crianças circulam a pé?
E a proibição de atirar coisas pelas janelas de um veículo?
Seremos todos tão porcos que precisemos de uma lei a dizer o óbvio?

Será o Homem tendencialmente mau e, sem leis a impôr regras, comportar-se-ia como um animal?
Quando li 'O Ensaio da Cegueira', do talentoso Saramago, impressionou-me pensar que aquele cenário era realmente possível, e talvez mesmo provável, numa terra sem lei, nem rei.

Por outro lado, existem outras leis que tentam contrariar a liberdade individual e o direito de escolha.
E, por mais incrível que pareça, algumas chegam mesmo a ver a luz do dia!
A última (que eu saiba) aconteceu em França.
Quem se lembraria de proibir o uso do véu muçulmano às crianças dessa religião?
Não vos faz lembrar, em moldes ligeiramente diferentes, a perseguição nazi à religião judaica?
Qualquer dia vetam o uso de roupas amarelas, por exemplo, ou a utilização de adornos (anéis, pulseiras ou, nomeadamente, a cruz ou as imagens de santos, usadas por tantos católicos) ou criam a obrigação de usarmos todos cabelo curto.

Porque será tão difícil ao Homem aceitar que a Liberdade de um Indivíduo termina onde começa a Liberdade de outro Indivíduo??

1 de setembro de 2004

Destino

Ultimamente, aqui no blog, ando muito pelas áreas que fogem ao plano material, físico, palpável.

Devido a um acontecimento recente na minha vida, voltei a pensar num assunto que me intriga: o Destino!
Tenho uma amiga que acredita que o que tem que ser, tem muita força. Por experiência própria, correu riscos na sua vida pessoal, deu e continua a dar todas as chances ao Destino e tem constatado que, mesmo quando tentamos 'remar contra a maré', mais cedo ou mais tarde, o inevitável acaba mesmo por acontecer.

Ora o que me interrogo é se será mesmo assim.
Se, mesmo podendo ajudar o Destino, o temos traçado assim que nascemos.
O que gosto de acreditar é que, mesmo não entendendo imediatamente o que de mau nos acontece, o que é certo é que existe algum motivo para ter acontecido.
É aquela velha história do "fecha-se uma porta, mas abre-se uma janela".

E isto aplica-se a variadíssimas situações.
Quem sabe a melhor coisa que poderia acontecer a alguém seria perder o emprego?
Isso dar-lhe-ia novas perspectivas, abrir-lhe-ia novos horizontes que essa pessoa nunca teria coragem de perseguir se não fosse a isso obrigada.
Quem sabe, quando uma relação acaba, se não acabou apenas para nos dar a oportunidade de encontrar a nossa verdadeira alma gémea?
Quem sabe se uma mudança forçada no nosso dia- a-dia não nos leva a adquirir novos interesses, a conhecer novas pessoas, a renovarmo-nos a nós próprios como indivíduos?
Quem sabe se a doença de um familiar não é apenas a forma de lhe podermos atribuir o valor que ele sempre teve, mas que nunca havia sido percebido?

Sou pessimista (realista?) no meu dia a dia.
No entanto, gosto de ser optimista nos piores momentos da minha vida.
Mas também vos digo:
Por vezes é tão difícil...