12 de agosto de 2004

(Em)beleza

Quem me conhece, sabe que prefiro ir ao dentista do que ao cabeleireiro. :)

(Pois, já sei... não sou uma mulher exactamente como as outras. Ou melhor, não sou uma mulher exactamente como são 'pintadas' as mulheres. Eu adoro desporto (futebol, principalmente), odeio ir às compras e detesto ir ao cabeleireiro!)

O cabeleireiro é daqueles locais que, para mim, só é equiparável à Casa do Terror da Feira Popular... ;)

A espera decorre, habitualmente, num convívio de 'amena' coscuvilhice entre as(os) cabeleireiras(os) e as clientes, versando as vidas pessoais dos vizinhos e conhecidos de ambos (ou mesmo sobre as dos desconhecidos... é preciso é falar dos outros!), bem como a vida privada dos famosos lida nas revistas que por lá abundam.

Depois desse suplício, começa o massacre do couro cabeludo, agredido violentamente pelas mãos e unhas da 'lavadora de cabelos'.
Mas será que estas senhoras nunca ouviram dizer que o cabelo deve ser lavado suave e gentilmente, com as cabeças dos dedos e não com as unhas?!?! Afinal, elas é que são as profissionais! Nós somos só clientes!
Algumas quase nos dão banho, outras escaldam-nos ou gelam-nos com temperaturas de água mal calculadas.

Em seguida, vem a violência da escova e da arma preferida de uma cabeleireira... o secador de mão!!
O calor que emana deste último é, algumas vezes, tão forte que chega a chamuscar as orelhas de clientes mais desafortunadas.
Fora os puxões e repuxões para alisar, encaracolar, esticar, torcer e sei lá bem que mais se pode fazer a este fios de cabelo, aparentemente tão frágeis e, afinal, tão resistentes.

Finalmente, somos vaporizadas com lacas, geles e outros produtos misteriosos para mim, que visam proteger e manter um trabalho tão arduamente conseguido e um produto final tão penosamente atingido.

Isto já para nem falar das figuras que fazemos quando queremos dar algum brilho e cor ao nosso rico cabelinho... Ele é papel de prata, ele é tocas de borracha, ele é tintas e cremes que lambuzam as mãos das cabeleireiras e, por vezes, as roupas das clientes...

E todo este esforço e sofrimento para quê??
É mesmo como na anedota... se é para se ficar mais bonita, porque é que não se fica?? ;)

11 de agosto de 2004

Será que sou só eu??

O que é que se passa com as nossas televisões??
É mesmo preocupante porque, se elas só passam o que tem audiência, então o que é que se passa com o povo português???

Ora vejamos...
Em horário nobre temos reality shows e novelas portuguesas e brasileiras, noticiários escabrosos e sensacionalistas, concursos ridículos e deseducativos (salva-se um ou outro, habitualmente da RTP1), programas 'cómicos' que dão vontade de 'chorar'.

Todos os programas com qualidade são relegados para o '2º Canal' (a '2', como se chama agora) ou para horários de madrugada.

Vejam só a última:
"Proximamente vai estrear na TVI (onde mais?) um concurso intitulado "A quinta dos famosos", que consiste basicamente em alguns 'famosos' fechados numa quinta, para serem filmados 24 horas por dia (ao 'melhor' estilo Big Brother) e na qual os ditos 'famosos' terão de criar e matar animais para se alimentarem."

Acho que um dos 'concorrentes' já contactados é o 'Joselito' Castelo Branco.

Só pode ser brincadeira... de mau gosto!

Dia Bom!

Hoje é um dia bom! :)

Acordei sem custo, o que por si só já seria de louvar. ;)
Cheguei cedíssimo ao meu local de trabalho, o que me permitiu tomar o pequeno-almoço calmamente sentada, explorando uma pastelaria que há dias andava para conhecer.
Parei no quiosque a ler os títulos dos jornais.

E perguntem-me lá porquê...
"Porquê, Teresa?!?!"
É que o meu Benfica ganhou!! :))

Algo irracionalmente, isso afecta-me profundamente.
Se o Benfica perde, quando acordo no dia seguinte, esse pensamento é o primeiro que me atravessa o espírito. E desmoraliza-me.
Pelo contrário, se ganha, dá-me ânimo, deixa-me feliz!
E quando estou feliz, dormir parece-me perda de tempo e as tarefas habituais tornam-se mais leves e suportáveis, até mesmo apetecíveis.
O mundo fica um lugar mais bonito e aprazível.

Partilhei isto convosco só para que vejam a Força e o Poder do Glorioso!


9 de agosto de 2004

Sem Chance!

Este fim de semana vi o filme 'Carandiru'.
E, há algum tempo atrás, tinha assistido ao 'A Cidade de Deus'.
Impressionantes, ambos!

Para quem, como eu, é assumidamente comercial em relação ao tipo de filmes de eleição ('americanadas' é comigo mesmo), devo dizer que ambos me surpreenderam pela 'facilidade' com que se vêem. E mais ainda pela qualidade que apresentam.

Mas a realidade que retratam é, no mínimo, arrepiante.
'A Cidade de Deus' conta-nos epidódios verídicos no dia a dia de uma favela do Rio de Janeiro (a 'Rocinha', se não me engano).
'Carandiru' faz o mesmo, mas em relação à famosa prisão de S. Paulo, agora implodida.

Dois ambientes com regras muito particulares.
Onde a Vida vale o que vale e não vale nada.
O lado selvagem de quem cresceu sem pai, sem mãe, sem dinheiro, sem educação...
O lado negro de quem brincou com armas em vez de bonecos, de quem matou antes dos 10 anos, de quem morreu ou viu morrer antes dos 5.
O lado assustador de quem manda mais que a Polícia, que o Governo, impondo à força a sua própria Lei, criando 'fronteiras' intransponíveis dentro do próprio País.
O clima de guerra e terror que se instala quando o confronto rebenta.
A droga (vendida e consumida), a prostituição (negócio e sobrevivência), o estupro, como dizem os brasileiros, único crime imperdoável (sofrido e praticado), a homossexualidade (assumida ou inevitável), os assassínios, os roubos, a conveniente marginalização, a revolta de quem se sente sempre 'credor' da Sociedade, a violência sempre presente.
A injustiça e a miséria...

Como diz uma personagem do filme 'Carandiru':
"Sem Chance!"

Lembram-se do meu post 'Caridade (ou não...)'?

'Atão' não é que as contas de solidariedade com as vítimas dos incêndios (de 2003!!) não serviram os seus propósitos, permanecendo intactas e intocadas?

"Algumas das contas bancárias de várias campanhas de solidariedade que foram abertas para ajudar as vítimas dos incêndios de 2003 continuam intactas, adianta esta segunda-feira a Rádio Renascença (RR).
De acordo com a emissora, os portugueses foram rápidos e generosos na resposta ao apelo de contribuições, mas muitas das instituições foram lentas e não receberam nenhuma verba para ajudar as famílias que ficaram sem nada.
Ainda segundo a RR, um ano depois da calamidade dos incêndios que devastou grande parte do País, há ainda contas de solidariedade recheadas e intactas, uma delas com um milhão e meio de euros. (...)
" (in Diário Digital, 09-08-2004)

Vá lá...
Até ver, ninguém se 'abotoou' com o dinheiro.
Mas quem são as vítimas, afinal?
Quem não recebe o dinheiro que lhe era destinado ou quem vê sistematicamente logradas as suas boas intenções?

E a Morte aqui tão perto

De vez em quando, apercebo-me como estamos sempre tão na iminência de deixar de existir.
Tal como hoje, quando vinha trabalhar, e vi um carro a galgar quilómetros na minha direcção... na minha faixa de rodagem!!

Ontem, ao ouvir aquela notícia horrorosa sobre as 3 pessoas que faleceram no acidente do IC6, quando elas nem sequer transitavam na referida via, pensei que o destino é mesmo algo incontornável.

"(...) Pouco depois das 12h00, um automóvel despistou-se no IC6, em São Pedro de Alva (Penacova), e foi embater noutro veículo que circulava numa estrada paralela, causando a morte de três pessoas e ferimentos em mais quatro - dois dos quatro feridos encontram-se em estado considerado grave. As três vítimas mortais do sinistro pertenciam todas à mesma família. (...)" (in Público, 08-08-2004)

Mas o português é terrível.
A primeira coisa que sai da sua boca é:
"Se a autoestrada tivesse raides de protecção..."
(acho que 'raides' se escreve assim e quer dizer aquele tipo de separação e protecção usado nas autoestradas)
Porque é que não diz:
"Se o carro que se despistou fosse dentro dos limites da velocidade..."?

"(...) A última semana foi palco de 2.705 acidentes rodoviários dos quais resultaram 31 mortos, 73 feridos graves e 962 feridos ligeiros, anunciou esta segunda-feira a Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional Republicana (GNR), em comunicado (...)" (in Diário Digital, 09-08-2004)
"(...) Na semana passada, a fiscalização rodoviária da BT registou ainda 2.282 infracções graves e 394 muito graves. Foram detectados 605 condutores com taxa de álcool positiva, dos quais 164 foram detidos por apresentarem valor igual ou superior a 1,20 gramas por litro de sangue. O máximo permitido por lei são 0,5 gramas.Outros 45 condutores foram detidos por não terem carta, enquanto 2.050 foram autuados por excesso de velocidade. As patrulhas da Brigada de Trânsito da GNR detectaram ainda 637 automobilistas e passageiros sem cinto de segurança. (...)" (in Público, 09-08-2004)

Quando será que vamos começar a demonstrar algum respeito pela vida humana (a nossa e a dos outros)?
Quando será que a educação, o respeito e o civismo vão surgir como valores intrínsecos à nossa condição humana?

"(...) Primeira semana de Agosto foi a mais mortífera (do ano) nas estradas portuguesas (...)" (in Público, 09-08-2004)

Parece que ainda vamos ter que aguardar algum tempo... :(

6 de agosto de 2004

Nunca se Abandonem...

Olhem que lindo (e tão verdadeiro) o que recebi hoje no mail:

"Quando depositamos muita confiança ou expectativas numa pessoa, o risco de nos decepcionarmos é grande.
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas.
Temos que nos bastar!
Nos bastar sempre!
E, quando procurarmos estar com alguém, fazer isso cientes de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não precisam umas das outras.
Elas completam-se não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objectivos comuns, alegrias
e Vida!"

Agosto

Abençoado Agosto em Lisboa!! :)

Sempre que posso, tiro férias em todos os meses, menos Agosto!
Trânsito fluído, restaurantes com pouca gente (os que não estiverem fechados, claro), lugares para estacionar, ausência de filas nos serviços públicos, férias dos estudantes, sossego e tranquilidade no local de trabalho...
É a altura exacta para tratar seja do que for.
E é a altura certa para trabalhar. :)
Ainda que o nosso interlocutor possa estar de férias, o que é certo é que, se não estiver, nunca trataremos do assunto tão rapidamente noutra altura do ano.

É claro que somos poucos a poder aproveitar estes benefícios.
Por isso é que Lisboa se torna este Paraíso. ;)
Mas que pena não poder ser assim todo o ano... :)

5 de agosto de 2004

Lisboa, velha Lisboa



Pois é, Lisboa está velha... a cair aos bocados mesmo!
Olhem o que aconteceu há dias em Campo de Ourique. :(
E não é só Campo de Ourique.
Passo todos os dias por prédios decrépitos (quem sabe, não representam perigo real para quem lá habita?) e por verdadeiras ruínas dos 'tempos modernos' (edifícios abandonados que revelam sinais de grandiosidade e prosperidade de outros tempos).

Só reparo nelas porque, como sabem, agora ando mais a pé.
Mas tal facto também me permite reparar na quantidade de monumentos, curiosidades e preciosidades espalhadas por esta cidade.
Ele é patrimónios culturais e arquitectónicos, ele é casas onde viveram nomes importantes da nossa história urbana, ele é antigos palácios e palacetes (verdadeiras obras de arte)...

Se num outro post tinha dito que o metropolitano de Lisboa era um Mundo, então Lisboa é, no mínimo, uma Galáxia inteirinha! Só não lhe chamo Universo porque estou a guardar esta palavra para, sei lá, Portugal, por exemplo...

Trabalho no Bairro Alto, ou melhor, no Bairro de Santa Catarina, para ser mais exacta.
E adoro! :)
Prédios velhos, altos e estreitos, com as suas escadas íngremes, cafés e esplanadas boémias, os eléctricos e os elevadores (o da Bica, aqui tão perto), artistas e turistas, vizinhas a conversar à janela, mercearias à moda antiga ('lugares', como se dizia antigamente), o comércio tradicional, o Chiado, os teatros e as agências de modelos, os vasos com flores a enfeitar as varandas e as ruas ("...um craveiro numa água furtada..."), cianças que ainda brincam nas ruas, pombos e melros que tomam banho em fontanários (que os há em Lisboa!) ou numa poça de água resultante de algum problema não resolvido pela Câmara, cães pachorrentos que dormem à sombra das árvores (não vou nem referir a porcaria que deixam nos passeios...), pássaros que cantam nessas mesmas árvores, o rio...

Que linda é Lisboa!

Das janelas da sala onde trabalho vejo o rio (o Tejo, para quem tiver dúvidas...), os cacilheiros que o cruzam diariamente, os enormes barcos de recreio de onde os turistas nos observam, a ponte 25 de Abril, o Cristo-Rei.

Dá vontade de cuidar desta cidade.
De limpar as suas ruas, de restaurar os seus prédios, de manter as suas 'jóias'.
Muita pena terei se, algum dia, o meu local de trabalho mudar.

Afinal, Lisboa, apesar de velha, está bem viva!



4 de agosto de 2004

"Dji vóuta"

"Olá, cá estou eu, o Brise contínuo... novo desodorizante"
(Tou mesmo velhota... quem se lembrará do anúncio que acabei de 'cantar'?? ;))

Cantarolices à parte, o que é certo é que estou de volta!
Será isto uma coisa boa? :(

O que me entristece mesmo é que venho um pouco desinspirada...
O 'dolce fare niente' típico das 'férias grandes' fez-me mal à verve.

Enfim...
Vou retomar a minha pesquisa sobre assuntos que me façam pensar (e escrever...).
Espero encontrar algo interessante em breve.

Até breve, então. :)